Sua caravela chegou ao porto da Bahia em 1553. Local tido como um "paraíso terrestre". O jovem José encantou-se com a Terra de Santa Cruz. Fez da conversão da gente da terra a sua meta. Viveu como missionário, agiu como herói, morreu como santo.
Com 19 anos, Missionário na Terra de Santa Cruz
O moço de 19 anos que chegava à Terra de Santa Cruz vinha com as melhores disposições espirituais possíveis para exercer sua missão. Embora tão jovem e não tendo ainda sido ordenado sacerdote, Irmão José era dos primeiros missionários jesuítas que se estabeleciam na nova terra. Sua meta era conquistar almas para Cristo.
Ele fazia parte da comitiva do segundo Governador Geral do Brasil Dom Duarte da Costa e chegou a Salvador, na Bahia de Todos os Santos, no dia 13 de julho do ano de 1553.
Da Terra de dimensões continentais em que aportou nunca mais saiu. Amou a Terra, amou seu povo. Evangelizou as "gentes brasílicas", deu rumo a sua formação. Identificou-se com suas aspirações, sem perder sua própria identidade.
Origens de Anchieta
Aquele jovem noviço tinha nascido em São Cristóvão, Tenerife, uma das ilhas do Arquipélago das Canárias, a 19 de março de 1534, dia da festa litúrgica de São José, fato determinante para que ele também recebesse esse nome no batismo: José de Anchieta.
José de Anchieta pertencia a uma próspera família. Seu pai, Juan Lopes de Anchieta, era da província de Guipuscoa, no País Basco. Por precaução, Juan havia mudado para as Canárias. E ele tinha lá suas razões para isso: ele tomou parte na Revolta dos Comuneiros, feita contra o imperador espanhol Carlos V e havia sido condenado à morte.
Juan Lopes acabou sendo salvo da pena capital por intercessão de um ilustre parente militar, o capitão Inácio de Loyola, que, mais tarde, veio a ser o fundador dos jesuítas, os religiosos da Companhia de Jesus. Sua mãe foi Dona Mência Dias de Clavijo y Llarena. Ela era natural das próprias Ilhas Canárias. Seu avô havia sido um dos conquistadores espanhóis.
Formado num tempo de turbulência
Foi com 17 anos de idade que José de Anchieta ingressou na Companhia de Jesus, a Ordem Religiosa fundada por Santo Inácio em 1539 e que foi aprovada pelo Papa Paulo III com a publicação da bula "Regimini Militantis Eclesiae", de 1540. Também foi por essa ocasião que José de Anchieta --ainda estudante de 17 anos-- fez seu voto particular de castidade diante do Altar de Nossa Senhora, na Catedral de Coimbra.
Na época do estudante José de Anchieta o mundo ocidental estava vivendo uma crise: passava por uma autêntica e profunda revolução cultural e religiosa. O Renascimento, aproveitando-se de tendências latentes no homem decadente do fim da Idade Média, manejava as idéias, influenciando e marcando profundamente os acontecimentos nas artes e mentalidades. No campo religioso, a reforma protestante, codificada por um frade apóstata e seguindo a esteira da renascença, produzia devastações no seio da unidade do cristianismo.
Foi num mundo assim conturbado que no ano de 1553, no final de seu noviciado, José de Anchieta fez seus primeiros votos como jesuíta. Com esses votos, seus receios de não poder permanecer na Ordem de Santo Inácio foram dissipados.
Doença e Santa Obediência o trazem ao Brasil
Logo após seu ingresso na Companhia de Jesus, ele foi acometido por uma doença ósteo-articular. Se essa enfermidade continuasse a agredi-lo, suas esperanças de ser jesuíta cairiam por terra: ele não poderia continuar na Ordem. Os votos lhe garantiam que estava são e que poderia continuar entre os filhos de Santo Inácio.
Os médicos da época acreditavam que os ares do Novo Mundo seriam benéficos para sua total recuperação e aconselharam sua transferência para o outro lado do Oceano Atlântico. Então, seus superiores o enviaram para exercer uma missão em terras do domínio português, na América.
Ele era um bom religioso. Entusiasmado, obedeceu prontamente seus superiores: atravessou o oceano, chegou ao Brasil para evangelizar seu povo e daqui nunca mais saiu.
Na travessia do oceano o mais jovem dos jesuítas na esquadra do Governador Duarte da Costa dava mostras de que sua saúde estava sendo recuperada a cada instante. Quando aportou em Salvador, ele estava praticamente curado. O tempo na nova terra completaria a cura total.
Ação preternatural ou fato providencial?
As caravelas do novo Governador Geral Duarte da Costa traziam cerca de 250 pessoas. Além do noviço José de Anchieta, fazia parte da esquadra o também jesuíta Padre Manuel da Nóbrega que era seu superior e seria acompanhado por Anchieta no início de sua missão.
Os dois jesuítas já tinham destino certo. Eles apenas passariam por Salvador e logo deveriam dirigir-se para a Capitania de São Vicente. Ali exerceriam a missão de catequizar colonos e nativos.
A viagem até a "terra de missão" era difícil. Não havia outro meio de realizá-la a não ser por mar. Duas naus saíram de Salvador com destino a São Vicente levando Anchieta, Nóbrega e outros padres jesuítas. Ainda no Sul da Bahia uma tempestade gigantesca surpreendeu as duas embarcações. Uma delas foi arremessada contra os rochedos e espatifou-se. Por milagre, ninguém morreu. A nave em que estava Anchieta, acabou ficando encalhada nos recifes, ainda inteira.
Foi uma noite de terror para os viajantes. Gigantescas ondas ameaçavam destruir a nau que ainda havia restado. No dia seguinte, o mar amanheceu calmo e os viajantes conseguiram chegar à terra. Parece até que uma fúria de origem preternatural, diabólica, antevendo os sucessos que teriam os missionários, tentava impedir que eles chegassem a seu destino.
Pior para o demônio: Ali mesmo Anchieta começou sua missão... com sucesso. Ao procurar comida em terra firme, encontrou-se com índios do lugar. Ao chegar na aldeia deles, viu uma indiazinha muito doente, já à beira da morte. Anchieta a instruiu e batizou dando-lhe o nome de Cecília. Logo depois, a primeira indiazinha brasileira batizada por Anchieta morreu.
Enquanto o barco era consertado, Anchieta ainda esteve outras vezes na aldeia para ensinar o evangelho aos índios. Chegando a hora da partida, com a consciência tranquila, Anchieta pensava: "O acidente com o barco foi uma obra permitida pela Providência Divina para salvar a inocente Cecília, que estava predestinada." E ele tinha razão.
Sua vida está cheia de fatos semelhantes que indicam os desígnios de Deus Nosso Senhor de tê-lo como instrumento de salvação para muitas almas. Aquele jovem franzino, doente, tinha a alma maior que o corpo. Sua fé exuberante, acalentava uma esperança que, por amor a Deus, seria capaz de evangelizar um país, formar um povo, salvar um país inteiro.
Um Apóstolo na Capitania de São Vicente
O missionário José de Anchieta chegou a Salvador em junho de 1553 e logo dirigiu-se a São Vicente.
Em pouco tempo ele já estava colocado no centro das atividades da missão. Com seus dotes inatos de comunicador, e com sua sede de almas, conseguiu com os índios um amplo entendimento. Tornou-se logo amigo de indígenas e colonizadores e por ambos era respeitado.
Não limitou seu trabalho às redondezas da pequena São Vicente. Subiu a Serra que costeava a Capitania e chegou ao planalto que estava depois dela. O Planalto de Piratininga era povoado por milhares de índios que viviam em aldeias distintas. Para Anchieta elas eram almas redimidas pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua missão consistiria em conquistá-las para Cristo, conduzi-las para a Igreja para serem instruídas, formadas, civilizadas.
Sua ação era ligeira, meticulosa, apostólica, eficiente. Tinha metas audaciosas, plantava bases para o futuro. Assim foi que em 1554, no dia 25 de janeiro, festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, Anchieta participou da fundação do colégio da vila de São Paulo de Piratininga, onde também foi professor. Junto ao colégio foi edificada uma capela provisória na qual foi celebrada a primeira missa em 25 de agosto.
Estava nascendo o núcleo de uma cidade que se tornaria uma das maiores metrópoles do mundo: São Paulo. Anchieta construiu ainda um seminário perto do Colégio de Piratininga e nele também dava aulas. Tanta ação, tanto fruto já colhido e não havia passado seis meses desde que ele chegara à Capitania.
Ela falava o português, o castelhano, o latim e a língua brasílica.
Depois de cumprir suas obrigações religiosas e de exercer todo o trabalho que tocava a ele executar, ainda estava longe a hora do repouso para ele. Era à noite, quando todos já dormiam, que ele escrevia manuais para os alunos, cartas sobre o trabalho dos jesuítas e obras diversas, entre elas um dicionário de tupi e um tratado sobre a flora, a fauna e o clima da Capitania de São Vicente.
Lutou contra invasores, unificou pela Fé
No ano de 1555, o Brasil enfrentou graves problemas com a tentativa de franceses calvinistas de estabelecer uma colônia na região do Rio de Janeiro. Os invasores contavam com o apoio de índios da região.
Anchieta participou ativamente da luta pela expulsão dos franceses. A confiança que os índios tinham nele foi decisiva. Nas batalhas finais, no Rio de Janeiro, ele estava animando os combatentes brasileiros. Era amigo de Estácio de Sá e esteve junto dele nas últimas batalhas.
Ele foi quem lançou os fundamentos da catequese e educação dos jesuítas no Brasil. Foi ele também quem começou a reverter o quadro iniciado desde o descobrimento, em que os nativos eram vistos apenas como propriedade da Coroa e, como tal, passíveis de serem escravizados.
Agindo como apóstolo, plantou cultura
Anchieta deixou sua marca também no campo cultural. Sua obra de conteúdo eminentemente religioso constituiu-se na primeira manifestação literária na Terra de Santa Cruz contribuindo fortemente para a formação da nascente cultura brasileira. Além de suas cartas, sermões e poesias, ele escreveu uma Gramática da língua tupi, idioma que ele dominava perfeitamente. Escreveu "De Gestis Mendi de Saa", um livro que tratava dos feitos do Governador Geral Mem de Sá.
É famoso seu "Poema da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus", que foi escrito originariamente nas areias da praia de Iperoig, no litoral da costa da Capitania. Nele se manifesta não só a erudição e estro do poeta, mas, refulgem no texto as melhores doutrinas sobre a Virgem Maria e a expressão de uma devoção e de um amor extraordinário à Santa Mãe de Deus.São também de autoria de Anchieta peças de teatro de cunho religioso e formativo. Entre elas está o "Auto da Pregação Universal" e ainda o "Na Festa de São Lourenço", também chamada de "Mistério de Jesus".
A Língua tupi, a evangelização e o descanso
| Fêmur de José de Anchieta |
Era destro em quatro línguas: portuguesa, castelhana, latina e brasílica. Decifrar o tupi foi uma das tarefas que Nóbrega confiou a Anchieta. Em seis meses, ele completou o aprendizado da língua e, em um ano, a dominava com perfeição. Dois anos depois de ter chegado ao Brasil, escreveu a sua "Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil".
Além da gramática, Anchieta ensinava o latim e o português para os curumins (meninos) e para os índios adultos. Aos irmãos jesuítas, ensinava a língua tupi.
O repouso não vinha para ele logo que a noite chegava. Era nessa hora que escrevia manuais para os alunos, cartas sobre o trabalho dos jesuítas e obras diversas, entre elas um dicionário de tupi e um tratado sobre a flora, a fauna e o clima da Capitania de São Vicente. Era tarde, quando ia dormir.
Viveu com missionário, agiu como herói, morreu como santo
A vida do Beato José de Anchieta é como um sopro encorajador: é exemplo. Entusiasma e arrasta os que têm Fé. Convida os católicos a viver na caridade e no ardor missionário que evangeliza e santifica. Para os índios, ele foi médico, professor, foi amigo e defensor. Tornou-se o elo de ligação dos índios e colonos com os padres jesuítas, com a Igreja e a nação que estava sendo forjada.
Mas, o Beato José de Anchieta foi sobretudo sacerdote. Cuidava das doenças e feridas das almas, da espiritualidade de todo o povo. Por isso mesmo é que lhe foram dados vários títulos que o homenagevam, sendo que o que melhor lhe cai é o de "Apóstolo do Novo Mundo", que para nós pode ser "traduzido" como "Apóstolo do Brasil".
Com 63 anos, Anchieta faleceu no povoado que ele mesmo havia ajudado a edificar em 1569: Iritiba (a atual Anchieta), na Capitania do Espírito Santo. Era o dia 9 de junho de 1597 quando José de Anchieta entregou sua alma a Deus. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1980, quando então foi nomeado "Apóstolo do Brasil".
Oração a Anchieta
Bem-aventurado José de Anchieta, missionário incansável e Apóstolo do Brasil, abençoai a nossa Pátria e a cada um de nós. Inflamado pelo zelo da glória de Deus, consumistes a vida na promoção dos indígenas, catequizando, instruindo, fazendo o bem. Que o legado de vosso exemplo frutifique novos apóstolos e missionários em nossa terra. Professor e mestre, abençoai nossos jovens, crianças e educadores. Consolador dos doentes e aflitos, protetor dos pobres e abandonados, velai por todos aqueles que mais necessitam e sofrem em nossa sociedade, nem sempre justa, fraterna e cristã. Santificai as famílias e comunidades, orientando os que regem os destinos do Brasil e do Mundo. Através de Maria Santíssima, que tanto venerastes na terra, iluminai os nossos caminhos, hoje e sempre. Amém.
Arautos do Evangelho - Especial - Beato Anchieta: Apóstolo do Brasil
Intercessor JMJ
Cheios do Espírito Santo, os apóstolos incendiaram o mundo.
“Chegando
o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De
repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e
encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma
espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um
deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em
outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.”
(At 2, 1-4)
A
maravilhosa cena narrada por São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, é dos
mais importantes na história da Igreja. Para compreendermos a fundo seu
significado, examinemos em que circunstâncias ela se passou. Estavam os
apóstolos preparados para sua sublime vocação? Qual a situação
espiritual dos apóstolos? Era de supor que, após três anos de convívio
diário com Nosso Senhor Jesus Cristo, estivessem preparados para a
missão que lhes cabia, de firmar e expandir a Santa Igreja. Contudo, não
o estavam.
Em
várias passagens do Evangelho, vemo-los repletos de fragilidades. Logo
após episódios, sermões e milagres impressionantes, não se punham a
fazer comentários sobre a grandeza das palavras ou dos gestos do Mestre,
mas sim a discutir a respeito de quem seria o primeiro-ministro num
suposto reino temporal que, acreditavam, Cristo iria fundar...
Solenidades
“Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo. Ele submeteu a nós as nações, colocou os povos sob nossos pés, escolheu uma terra para nossa herança, a glória de Jacó, seu amado. Subiu Deus por entre aclamações, o Senhor, ao som das trombetas. Cantai à glória de Deus, cantai; cantai à glória de nosso rei, cantai. Porque Deus é o rei do universo; entoai-lhe, pois, um hino! Deus reina sobre as nações, Deus está em seu trono sagrado”. (Salmo 46, 2-9)
Sabemos que Cristo veio a este mundo, ao se encarnar no seio da Virgem Santíssima, para remir a humanidade decaída e condenada pelo pecado. Veio, sofreu e morreu numa Cruz para fazer a santa vontade do Pai. Obediente até a morte, Ressuscitou ao terceiro dia. Para nossa alegria e para Seu triunfo, subiu aos Céus e está sentado à direita de Deus Pai com todo poder e glória.
"Com a Encarnação de Jesus começa todos os mistérios de nossa Religião, assim como também pela Ascensão é que termina a peregrinação de Cristo neste mundo" (CatRom 6 Artigo IV – a). Uma vez humilhado pela Encarnação, já que se submeteu a ser um como nós, teve na Sua Ascensão e no estar sentado à direita do Pai, a maravilhosa expressão da grandiosidade e poder, para nos mostrar a sua glória suprema e divina majestade.
Cristo sendo Deus, quis fazer-se homem; sendo Senhor, quis suportar a condição de escravo, fazendo-se obediente até à morte, segundo se lê na Carta aos Filipenses (2,1), descendo ainda até ao inferno. Por isso mereceu ser exaltado até ao Céu e sentar-se à direita de Deus. A humildade é, com efeito, o caminho da exaltação, como se lê em São Lucas: Quem se humilha, será exaltado (14,11). Exemplo digno para seguirmos. A caminhada de Cristo é figura da nossa caminhada, caso queiramos viver eternamente com Ele na glória celeste.
Nos diz as Escrituras, que Cristo ficou com seus apóstolos depois de sua Ressurreição, comeu e bebeu familiarmente com eles, instruindo-os sobre o Reino, confirmando neles a fé em Sua palavra; mas a sua glória estava ainda encoberta sob as aparências duma humanidade normal. Sua Ressurreição e Sua Ascensão ao Céu, demonstram sua divindade e confirma aos apóstolos que Aquele que esteve com eles e os chamou a servir ao Seu Reino, era de fato Deus verdadeiro. (Cf. At, 1,3). “O carácter velado da glória do Ressuscitado, durante este tempo, transparece na sua misteriosa palavra a Maria Madalena: « [...] ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus» (Jo 20, 17). Isto indica uma diferença entre a manifestação da glória de Cristo Ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. O acontecimento da Ascensão, ao mesmo tempo histórico e transcendente, marca a transição duma para a outra.”(Cat n.600)
O CatRom I, 7,9 no diz que devemos entender acerca da Ascensão o mesmo que sobre o Mistério da Morte e Ressurreição do Senhor. Pois ainda que devamos a nossa redenção e salvação à Paixão de Cristo, a Sua Ascensão não só nos foi proposta como exemplar na qual aprendemos a dirigir a vista para o alto e a subir ao Céu com o espírito, mas também nos deu em abundância a graça divina para que possamos consegui-Lo. Foi porque subiu ao Céu que pode cumprir sua promessa de enviar o Espírito Santo, para santificar os seus.
A Ascensão, portanto, representa o“reconhecimento do triunfo e exaltação de Cristo por parte do mundo celestial. ” É Justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a adoração de todas as hierarquias dos anjos e de todas as legiões dos bem- aventurados da Glória .(Santo Rosário, 2 mistério glorioso).
Ela situa-se no termo da existência terrena de Jesus e nas origens da Igreja. A cena da Ascensão desenvolve-se, por assim dizer, entre o Céu e a terra. “Por que O ocultou numa nuvem o olhar dos Apóstolos? – pergunta São João Crisóstomo – A nuvem era um sinal de que Jesus já tinha entrado nos Céus: não foi, com efeito, um turbilhão ou um carro de fogo como aconteceu com o profeta Elizeu, mas uma nuvem, que simboliza o próprio Céu” (Hom, sobre Act, 2).
A nuvem acompanha as teofanias, as manifestações de Deus, tanto no Antigo como no Novo testamento. (Bíblia de Navarra – Atos - pag.54)
Jesus, Nosso Senhor, depois de consumar a redenção, subiu aos Céus enquanto Homem que era - de corpo e alma -, já que enquanto Deus nunca de lá se afastou, pois sendo Deus enche todos os lugares com Sua presença santa.
E o fez por virtude própria e não por nenhuma força externa, já que seu corpo agora glorioso, obedecia docilmente aos movimentos de sua alma gloriosa, podendo esta O arrebatar com toda facilidade, diferentemente de Habacuc, Elias e o diácono Filipe que o foram pela virtude divina. Portanto, Ele foi ao Céu, como Deus e como Homem, para Sua glória e para o nosso bem. São Tomás nos diz: “Apesar de os Santos irem para o céu, todavia não o fazem como Cristo: porque Cristo o fez por seu próprio poder”.
Cristo subiu aos Céus, primeiro porque como estava seu corpo revestido de gloria imortal desde a Ressurreição, era preciso que deixasse esta terra e fosse à sua morada gloriosa na mansão do Céu. São Tomás em sua Exposição ao Credo nos diz: “porque o céu era devido a Cristo por exigência da sua natureza. É, com efeito, natural que cada coisa retome à sua origem. Cristo tem sua origem em Deus, que está acima de todas as coisas, conforme Ele mesmo disse: Saí do Pai, e vim ao mundo; deixo agora o mundo e volto para o Pai (Jo 16,18). Disse também: ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu" (Jo 3,13),
O Reino de Cristo não era e não é deste mundo. Muitas vezes Ele no-lo disse, portanto, subindo ao Céu, nos provou que este era espiritual e eterno e que era precisamente este Reino que deveríamos buscar enquanto estivéssemos nesta terra de lutas, para um dia estar com Ele na glória. Ele, o primogênito dentre todas as coisas. Lá Cristo tomou posse do trono de glória, merecido prêmio pela sua cruz dolorosa, pelo seu sangue derramado e diligentemente toma conta de tudo o que diz respeito à nossa salvação.
Nesta vida temos uma via a seguir para atingirmos nosso fim que é estar eternamente com Deus. A Sua Ascensão, nos abre e nos ensina esta via. Desconhecíamos o caminho, mas Ele no-lo ensinou, “Subiu abrindo o caminho na frente deles” (Mt 2,13). Subiu ao céu também para nos fazer seguros da posse do reino celeste, conforme se lê em São João: “Vou preparar-vos o lugar” (Jo 14,2).
Para isso precisamos lutar contra o pecado e crescer no amor de Deus, vivendo n'Ele e para Ele. O modelo e a causa eficiente desta nossa vida nova é Cristo. Ao subir aos Céus, nos cumulou de dons e nos encheu de graças, para que pudéssemos pelos seus méritos cumprir este fim. A Ascensão de Cristo nos leva a olhar o Céu e suspirar por ele, já que somos peregrinos nesta terra e é lá nossa morada eterna. Lá com Ele, teremos, se formos fiéis, nossa pátria definitiva.
Cristo, já ao lado do Pai, é nosso grande intercessor e vem sempre em nosso favor, para nos fortalecer e santificar nesta caminhada rumo a Ele mesmo. Nos céus, Cristo exerce permanentemente o seu sacerdócio, « sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus » (Heb 7, 25).
Ele foi em nome de todos nós, este chefe bem dotado que entrou na posse celeste para nos preparar um lugar, como havia prometido. E para o provar, antes de adentrar no Céu, desceu à mansão dos mortos levando com Ele as almas benditas que esperavam com toda esperança o dia de Sua vitória sobre a morte, o mundo e o demônio. Assim Ele o fez, levou-as ao Céu, juntamente com Ele num cortejo esplendoroso. Elas tinham então alcançado seu fim, da qual nós ainda suspiramos enquanto estivermos aqui.
Ao subir, instituiu a Sua Igreja neste mundo – Una, Santa Católica e Apostólica – com o governo e assistência do próprio Espírito que enviaria, em Pentecostes. Deixou-nos um pastor visível, nosso chefe supremo escolhido entre os Apóstolos, um homem – Pedro – o Príncipe dos Apóstolos. Nela derrama abundantemente suas graças para santificar seu povo de predileção, constituindo assim o exército de santos para a glória de Deus Pai.
Devemos crer nesta verdade sem hesitação, mesmo sem ter visto, aumentando em nós os méritos de nossa fé, pois bem aventurados são aqueles que creem sem ver, “fixando, - como nos diz o Papa São Leão Magno -, o desejo onde a vista não pode chegar. Na verdade, continua ele -, tudo que na vida de nosso Redentor era visível passou para os ritos sacramentais, e para que nossa fé fosse mais firme e autêntica, à visão sucedeu a doutrina, em cuja autoridade se devem apoiar os corações dos que crêem, iluminados pela luz celeste .”(São Leão Magno – Alimento Sólido - Felipe Aquino – pag. 194).
Sua Ascensão, assim como Sua Ressurreição, foi para o santos apóstolos e é também para nós, o grande sinal de Sua divindade e onipotência. Hoje toda nossa contemplação na esperança reside no fato de que Cristo é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus e que assentado à direita do Pai está vivo e com todo poder e força, cuidando de nós, intercedendo por nós, e que portanto, não estamos sós, mas temos Deus conosco.
Ocultou-se na Sua Humanidade, mas se fará presente até o fim dos tempos. "Nossa fé, - nos diz ainda São Leão Magno - começou a adquirir um maior e progressivo conhecimento da igualdade do Filho com o Pai, e a não mais necessidade da presença palpável da substância corpórea de Cristo, pela qual Ele é inferior ao Pai. Pois, subsistindo a natureza do corpo glorificado, a fé dos que crêem é atraída para lá, onde o Filho Unigênito, igual ao Pai, poderá ser tocado não mais pela mão carnal, mas pela contemplação do espírito”.
Cristo enquanto Homem subiu aos Céus e está sentado à direita do Pai, recebeu portanto, lugar de dignidade e de honra, por conta de Sua obediência santa. Esta é uma figura de linguagem que exprime “a posse segura e inabalável do régio poder e da glória infinita que Ele recebeu do Pai. Glória que a nenhuma criatura foi dada, nem aos anjos, pois só a Cristo foi dito: Senta-te à Minha direita” (Hb 1) e sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino messiânico, cumprimento da visão do profeta Daniel a respeito do Filho do Homem: « Foi-Lhe entregue o domínio, a majestade e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O servirão. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará jamais, e a sua realeza não será destruída » (Dn 7, 14).
Esta subida é um grande estímulo para que levantemos nosso coração, para amar e buscar as coisas do alto, nos conformando com Cristo, nosso Senhor e Rei, cabeça de um corpo da qual nós somos os membros. Nos diz São Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; saboreai as coisas do alto e não as da terra” (Col 3,1).
Com Cristo ascendemos, mística, mas realmente, ao mais alto dos Céus e conseguimos por Cristo uma graça mais inefável, do que a que tínhamos perdido pela inveja do diabo. Possamos sempre ouvir Sua voz que disse ao Pai: “Pai, quero que onde Eu estou, estejam comigo também aqueles que Vós me destes”( Jo 17,24).
Não é fato que nosso coração, tal os discípulos de Emaús, se abrasa com toda esta revelação? Que estímulo na luta para buscar o Reino de Deus e Sua justiça combatendo o bom combate até a vitória final em Cristo Jesus!! Ele se ausentou de nós, para espiritualizar nosso amor e pode pelas suas graças nos elevar à condição de filhos, com uma participação real de Sua vida maravilhosa.
Só podemos dizer a Deus como nossa mãe Maria Santíssima: Senhor eis aqui teus filhos, faça-se em nós segundo a tua palavra e dai-nos a tua graça para perseverarmos até o fim, sempre com os olhos fixos no Céu, onde está o teu trono santo.
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