“Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo. Ele submeteu a nós as nações, colocou os povos sob nossos pés, escolheu uma terra para nossa herança, a glória de Jacó, seu amado. Subiu Deus por entre aclamações, o Senhor, ao som das trombetas. Cantai à glória de Deus, cantai; cantai à glória de nosso rei, cantai. Porque Deus é o rei do universo; entoai-lhe, pois, um hino! Deus reina sobre as nações, Deus está em seu trono sagrado”. (Salmo 46, 2-9)
Sabemos que Cristo veio a este mundo, ao se encarnar no seio da Virgem Santíssima, para remir a humanidade decaída e condenada pelo pecado. Veio, sofreu e morreu numa Cruz para fazer a santa vontade do Pai. Obediente até a morte, Ressuscitou ao terceiro dia. Para nossa alegria e para Seu triunfo, subiu aos Céus e está sentado à direita de Deus Pai com todo poder e glória.
"Com a Encarnação de Jesus começa todos os mistérios de nossa Religião, assim como também pela Ascensão é que termina a peregrinação de Cristo neste mundo" (CatRom 6 Artigo IV – a). Uma vez humilhado pela Encarnação, já que se submeteu a ser um como nós, teve na Sua Ascensão e no estar sentado à direita do Pai, a maravilhosa expressão da grandiosidade e poder, para nos mostrar a sua glória suprema e divina majestade.
Cristo sendo Deus, quis fazer-se homem; sendo Senhor, quis suportar a condição de escravo, fazendo-se obediente até à morte, segundo se lê na Carta aos Filipenses (2,1), descendo ainda até ao inferno. Por isso mereceu ser exaltado até ao Céu e sentar-se à direita de Deus. A humildade é, com efeito, o caminho da exaltação, como se lê em São Lucas: Quem se humilha, será exaltado (14,11). Exemplo digno para seguirmos. A caminhada de Cristo é figura da nossa caminhada, caso queiramos viver eternamente com Ele na glória celeste.
Nos diz as Escrituras, que Cristo ficou com seus apóstolos depois de sua Ressurreição, comeu e bebeu familiarmente com eles, instruindo-os sobre o Reino, confirmando neles a fé em Sua palavra; mas a sua glória estava ainda encoberta sob as aparências duma humanidade normal. Sua Ressurreição e Sua Ascensão ao Céu, demonstram sua divindade e confirma aos apóstolos que Aquele que esteve com eles e os chamou a servir ao Seu Reino, era de fato Deus verdadeiro. (Cf. At, 1,3). “O carácter velado da glória do Ressuscitado, durante este tempo, transparece na sua misteriosa palavra a Maria Madalena: « [...] ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus» (Jo 20, 17). Isto indica uma diferença entre a manifestação da glória de Cristo Ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. O acontecimento da Ascensão, ao mesmo tempo histórico e transcendente, marca a transição duma para a outra.”(Cat n.600)
O CatRom I, 7,9 no diz que devemos entender acerca da Ascensão o mesmo que sobre o Mistério da Morte e Ressurreição do Senhor. Pois ainda que devamos a nossa redenção e salvação à Paixão de Cristo, a Sua Ascensão não só nos foi proposta como exemplar na qual aprendemos a dirigir a vista para o alto e a subir ao Céu com o espírito, mas também nos deu em abundância a graça divina para que possamos consegui-Lo. Foi porque subiu ao Céu que pode cumprir sua promessa de enviar o Espírito Santo, para santificar os seus.
A Ascensão, portanto, representa o“reconhecimento do triunfo e exaltação de Cristo por parte do mundo celestial. ” É Justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a adoração de todas as hierarquias dos anjos e de todas as legiões dos bem- aventurados da Glória .(Santo Rosário, 2 mistério glorioso).
Ela situa-se no termo da existência terrena de Jesus e nas origens da Igreja. A cena da Ascensão desenvolve-se, por assim dizer, entre o Céu e a terra. “Por que O ocultou numa nuvem o olhar dos Apóstolos? – pergunta São João Crisóstomo – A nuvem era um sinal de que Jesus já tinha entrado nos Céus: não foi, com efeito, um turbilhão ou um carro de fogo como aconteceu com o profeta Elizeu, mas uma nuvem, que simboliza o próprio Céu” (Hom, sobre Act, 2).
A nuvem acompanha as teofanias, as manifestações de Deus, tanto no Antigo como no Novo testamento. (Bíblia de Navarra – Atos - pag.54)
Jesus, Nosso Senhor, depois de consumar a redenção, subiu aos Céus enquanto Homem que era - de corpo e alma -, já que enquanto Deus nunca de lá se afastou, pois sendo Deus enche todos os lugares com Sua presença santa.
E o fez por virtude própria e não por nenhuma força externa, já que seu corpo agora glorioso, obedecia docilmente aos movimentos de sua alma gloriosa, podendo esta O arrebatar com toda facilidade, diferentemente de Habacuc, Elias e o diácono Filipe que o foram pela virtude divina. Portanto, Ele foi ao Céu, como Deus e como Homem, para Sua glória e para o nosso bem. São Tomás nos diz: “Apesar de os Santos irem para o céu, todavia não o fazem como Cristo: porque Cristo o fez por seu próprio poder”.
Cristo subiu aos Céus, primeiro porque como estava seu corpo revestido de gloria imortal desde a Ressurreição, era preciso que deixasse esta terra e fosse à sua morada gloriosa na mansão do Céu. São Tomás em sua Exposição ao Credo nos diz: “porque o céu era devido a Cristo por exigência da sua natureza. É, com efeito, natural que cada coisa retome à sua origem. Cristo tem sua origem em Deus, que está acima de todas as coisas, conforme Ele mesmo disse: Saí do Pai, e vim ao mundo; deixo agora o mundo e volto para o Pai (Jo 16,18). Disse também: ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu" (Jo 3,13),
O Reino de Cristo não era e não é deste mundo. Muitas vezes Ele no-lo disse, portanto, subindo ao Céu, nos provou que este era espiritual e eterno e que era precisamente este Reino que deveríamos buscar enquanto estivéssemos nesta terra de lutas, para um dia estar com Ele na glória. Ele, o primogênito dentre todas as coisas. Lá Cristo tomou posse do trono de glória, merecido prêmio pela sua cruz dolorosa, pelo seu sangue derramado e diligentemente toma conta de tudo o que diz respeito à nossa salvação.
Nesta vida temos uma via a seguir para atingirmos nosso fim que é estar eternamente com Deus. A Sua Ascensão, nos abre e nos ensina esta via. Desconhecíamos o caminho, mas Ele no-lo ensinou, “Subiu abrindo o caminho na frente deles” (Mt 2,13). Subiu ao céu também para nos fazer seguros da posse do reino celeste, conforme se lê em São João: “Vou preparar-vos o lugar” (Jo 14,2).
Para isso precisamos lutar contra o pecado e crescer no amor de Deus, vivendo n'Ele e para Ele. O modelo e a causa eficiente desta nossa vida nova é Cristo. Ao subir aos Céus, nos cumulou de dons e nos encheu de graças, para que pudéssemos pelos seus méritos cumprir este fim. A Ascensão de Cristo nos leva a olhar o Céu e suspirar por ele, já que somos peregrinos nesta terra e é lá nossa morada eterna. Lá com Ele, teremos, se formos fiéis, nossa pátria definitiva.
Cristo, já ao lado do Pai, é nosso grande intercessor e vem sempre em nosso favor, para nos fortalecer e santificar nesta caminhada rumo a Ele mesmo. Nos céus, Cristo exerce permanentemente o seu sacerdócio, « sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus » (Heb 7, 25).
Ele foi em nome de todos nós, este chefe bem dotado que entrou na posse celeste para nos preparar um lugar, como havia prometido. E para o provar, antes de adentrar no Céu, desceu à mansão dos mortos levando com Ele as almas benditas que esperavam com toda esperança o dia de Sua vitória sobre a morte, o mundo e o demônio. Assim Ele o fez, levou-as ao Céu, juntamente com Ele num cortejo esplendoroso. Elas tinham então alcançado seu fim, da qual nós ainda suspiramos enquanto estivermos aqui.
Ao subir, instituiu a Sua Igreja neste mundo – Una, Santa Católica e Apostólica – com o governo e assistência do próprio Espírito que enviaria, em Pentecostes. Deixou-nos um pastor visível, nosso chefe supremo escolhido entre os Apóstolos, um homem – Pedro – o Príncipe dos Apóstolos. Nela derrama abundantemente suas graças para santificar seu povo de predileção, constituindo assim o exército de santos para a glória de Deus Pai.
Devemos crer nesta verdade sem hesitação, mesmo sem ter visto, aumentando em nós os méritos de nossa fé, pois bem aventurados são aqueles que creem sem ver, “fixando, - como nos diz o Papa São Leão Magno -, o desejo onde a vista não pode chegar. Na verdade, continua ele -, tudo que na vida de nosso Redentor era visível passou para os ritos sacramentais, e para que nossa fé fosse mais firme e autêntica, à visão sucedeu a doutrina, em cuja autoridade se devem apoiar os corações dos que crêem, iluminados pela luz celeste .”(São Leão Magno – Alimento Sólido - Felipe Aquino – pag. 194).
Sua Ascensão, assim como Sua Ressurreição, foi para o santos apóstolos e é também para nós, o grande sinal de Sua divindade e onipotência. Hoje toda nossa contemplação na esperança reside no fato de que Cristo é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus e que assentado à direita do Pai está vivo e com todo poder e força, cuidando de nós, intercedendo por nós, e que portanto, não estamos sós, mas temos Deus conosco.
Ocultou-se na Sua Humanidade, mas se fará presente até o fim dos tempos. "Nossa fé, - nos diz ainda São Leão Magno - começou a adquirir um maior e progressivo conhecimento da igualdade do Filho com o Pai, e a não mais necessidade da presença palpável da substância corpórea de Cristo, pela qual Ele é inferior ao Pai. Pois, subsistindo a natureza do corpo glorificado, a fé dos que crêem é atraída para lá, onde o Filho Unigênito, igual ao Pai, poderá ser tocado não mais pela mão carnal, mas pela contemplação do espírito”.
Cristo enquanto Homem subiu aos Céus e está sentado à direita do Pai, recebeu portanto, lugar de dignidade e de honra, por conta de Sua obediência santa. Esta é uma figura de linguagem que exprime “a posse segura e inabalável do régio poder e da glória infinita que Ele recebeu do Pai. Glória que a nenhuma criatura foi dada, nem aos anjos, pois só a Cristo foi dito: Senta-te à Minha direita” (Hb 1) e sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino messiânico, cumprimento da visão do profeta Daniel a respeito do Filho do Homem: « Foi-Lhe entregue o domínio, a majestade e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O servirão. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará jamais, e a sua realeza não será destruída » (Dn 7, 14).
Esta subida é um grande estímulo para que levantemos nosso coração, para amar e buscar as coisas do alto, nos conformando com Cristo, nosso Senhor e Rei, cabeça de um corpo da qual nós somos os membros. Nos diz São Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; saboreai as coisas do alto e não as da terra” (Col 3,1).
Com Cristo ascendemos, mística, mas realmente, ao mais alto dos Céus e conseguimos por Cristo uma graça mais inefável, do que a que tínhamos perdido pela inveja do diabo. Possamos sempre ouvir Sua voz que disse ao Pai: “Pai, quero que onde Eu estou, estejam comigo também aqueles que Vós me destes”( Jo 17,24).
Não é fato que nosso coração, tal os discípulos de Emaús, se abrasa com toda esta revelação? Que estímulo na luta para buscar o Reino de Deus e Sua justiça combatendo o bom combate até a vitória final em Cristo Jesus!! Ele se ausentou de nós, para espiritualizar nosso amor e pode pelas suas graças nos elevar à condição de filhos, com uma participação real de Sua vida maravilhosa.
Só podemos dizer a Deus como nossa mãe Maria Santíssima: Senhor eis aqui teus filhos, faça-se em nós segundo a tua palavra e dai-nos a tua graça para perseverarmos até o fim, sempre com os olhos fixos no Céu, onde está o teu trono santo.
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Iesu Christi - Santa Igreja - Solenidades
Receber uma visita é uma arte que uma dona de casa exercita com freqüência. E quando o visitante é ilustre, os preparativos são mais exigentes. Imagine o leitor que numa Missa de domingo seu pároco anunciasse a visita pastoral do bispo diocesano, acrescida de uma particularidade: um dos paroquianos seria escolhido à sorte para receber o prelado em sua casa, para almoçar, após a Missa.
Certamente, durante alguns dias, tudo no lar da família eleita se voltaria para a preparação de tão honrosa visita. A seleção do menu, para o almoço, o que melhorar na decoração do lar, que roupas usar nessa ocasião única. Na véspera, uma arrumação geral na casa seria de praxe, de modo a ficar tudo eximiamente ordenado, na expectativa do grande dia.
Significado do termo
Advento - adventus, em latim - significa vinda, chegada. É uma palavra de origem profana que designava a vinda anual da divindade pagã, ao templo, para visitar seus adoradores. Acreditava-se que o deus cuja estátua era ali cultuada permanecia em meio a eles durante a solenidade. Na linguagem corrente, significava também a primeira visita oficial de um personagem importante, ao assumir um alto cargo. Assim, umas moedas de Corinto perpetuam a lembrança do adventus augusti, e um cronista da época qualifica de adventus divi o dia da chegada do Imperador Constantino. Nas obras cristãs dos primeiros tempos da Igreja, especialmente na Vulgata, adventus se transformou no termo clássico para designar a vinda de Cristo à terra, ou seja, a Encarnação, inaugurando a era messiânica e, depois, sua vinda gloriosa no fim dos tempos.
Surgimento do Advento cristão
Os primeiros traços da existência de um período de preparação para o Natal aparecem no século V, quando São Perpétuo, Bispo de Tours, estabeleceu um jejum de três dias, antes do nascimento do Senhor. É também do final desse século a "Quaresma de São Martinho", que consistia num jejum de 40 dias, começando no dia seguinte à festa de São Martinho.
São Gregório Magno (590- 604) foi o primeiro Papa a redigir um ofício para o Advento, e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo em prover missas próprias para os domingos desse tempo litúrgico.
No século IX, a duração do Advento reduziu-se a quatro semanas, como se lê numa carta do Papa São Nicolau I (858-867) aos búlgaros. E no século XII o jejum havia sido já substituído por uma simples abstinência.
Apesar do caráter penitencial do jejum ou abstinência, a intenção dos papas, na alta Idade Média, era produzir nos fiéis uma grande expectativa pela vinda do Salvador, orientando-os para o seu retorno glorioso no fim dos tempos. Daí o fato de tantos mosaicos representarem vazio o trono do Cristo Pantocrator. O velho vocábulo pagão adventus se entende também no sentido bíblico e escatológico de "parusia".
O Advento nas Igrejas do Oriente
Nos diversos ritos orientais, o ciclo de preparação para o grande dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo formou-se com uma característica acentuadamente ascética, sem abranger toda a amplitude de espera messiânica que caracteriza o Advento na liturgia romana.
Na liturgia bizantina destaca-se, no domingo anterior ao Natal, a comemoração de todos os patriarcas, desde Adão até José, esposo da Santíssima Virgem Maria. No rito siríaco, as semanas que precedem o Natal chamam-se "semanas das anunciações". Elas evocam o anúncio feito a Zacarias, a Anunciação do Anjo a Maria, seguida da Visitação, o nascimento de João Batista e o anúncio a José.
O Advento na Igreja Latina
É na liturgia romana que o Advento toma o seu sentido mais amplo. Muito diferente do menino pobre e indefeso da gruta de Belém,nos aparece Cristo, no primeiro domingo, cheio de glória e esplendor, poder e majestade, rodeado de seus Anjos, para julgar os vivos e os mortos e proclamar o seu Reino eterno, após os acontecimentos que antecederão esse triunfo: "Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre as nações aterradas com o bramido e a agitação do mar" (Lc 21, 25). "Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem" (Lc 21, 36). É a recomendação do Salvador.
Como ficar de pé diante do Filho do Homem? A nós cabe corar de vergonha, como diz a Escritura. A Igreja assim nos convida à penitência e à conversão e nos coloca, no segundo domingo, diante da grandiosa figura de São João Batista, cuja mensagem ajuda a ressaltar o caráter penitencial do Advento.
Com a alegria de quem se sente perdoado, o terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: "Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto". É o domingo Gaudete. Estando já próxima a chegada do Homem- Deus, a Igreja pede que "a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens". Os paramentos são cor-de-rosa.
No quarto domingo, Maria, a estrela da manhã, anuncia a chegada do verdadeiro Sol de Justiça, para iluminar todos os homens. Quem, melhor do que Ela, para nos conduzir a Jesus? A Santíssima Virgem, nossa doce advogada, reconcilia os pecadores com Deus, ameniza nossas dores e santifica nossas alegrias. É Maria a mais sublime preparação para o Natal.
Coroa do Advento
Ela é tão simples quanto bonita: um círculo feito de ramos verdes, geralmente de ciprestes ou cedros. Nele coloca-se uma fita vermelha longa que, ao mesmo tempo enfeita e mantém presos à haste circular os ramos. Quatro velas de cores variadas completam essa bela guirlanda que, nos países cristãos, orna e marca há séculos a época do advento. A esta guirlanda dá-se o nome de Coroa do Advento.
Um antigo costume piedoso
Nos domingos de Advento, existe o piedoso costume de as famílias e as comunidades católicas se reunirem em torno de uma coroa para rezar. A "liturgia da coroa", como é conhecida esta oração, realiza-se de um modo muito simples. Todos os participantes da oração colocam-se em torno daquela guirlanda enfeitada e a cerimônia tem início, Em cada uma das quatro semanas do advento acende-se uma nova vela, até que todas sejam acesas.
O acender das velas é sempre acompanhado com um canto. Logo em seguida, lê-se uma passagem das Sagradas Escrituras que seja própria para o tempo do Advento e é feita uma pequena meditação. Depois disso é que são realizadas algumas orações e são feitos alguns louvores para encerrar a cerimônia. Geralmente a guirlanda da coroa, bem como as velas são bentas por um sacerdote.
Origem
A Coroa de Advento tem sua origem na Europa. No inverno, seus ainda bárbaros habitantes acendiam algumas velas que representavam a luz do Sol. Assim, eles afirmavam a esperança que tinham de que a luz e o calor do astro-rei voltaria a brilhar sobre eles e aquecê-los. Com o desejo de evangelizar aquelas almas, os primeiros missionários católicos que lá chegaram quiseram, a partir doscostumes dos da terra, ensinar-lhes a Fé e conduzi-los para Jesus Cristo. Foi assim que, criaram a "coroa do advento", carregada de símbolos, ensinamentos e lições de vida.
A forma circular
O círculo não tem princípio, nem fim. É interpretado como sinal do amor de Deus que é eterno, não tendo princípio e nem fim. O círculo simboliza também o amor do homem a Deus e ao próximo que nunca deve se acabar, chegar ao fim. O círculo ainda traz a ideia de um "elo" de união que liga Deus e as pessoas, como uma grande "Aliança".
Ramos verdes
Verde é a cor que representa a esperança, a vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida terrena. Os ramos verdes lembram as bênçãos que sobre os homens foram derramadas por Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua primeira vinda entre nós e que, agora, com uma esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na segunda e definitiva volta dEle.
Quatro velas
O advento tem quatro semanas, cada vela colocada na coroa simboliza uma dessas quatro semanas. No início a Coroa está sem luz, sem brilho, sem vida: ela lembra a experiencia de escuridão do pecado.
À medida em que nos aproximamos do Natal, a cada semana do Advento, uma nova vela vai sendo acesa, representando a aproximação da chegada até nós Daquele que é a Luz do mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é quem dissipa toda escuridão, é quem traz aos nossos corações a reconciliação tão esperada entre nós e Deus e, por amor a Ele, a "paz na Terra entre os homens de boa vontade". (JSG)
Com esse tempo de preparação, quer a Igreja ensinar-nos que a vida neste vale de lágrimas é um imenso advento e, se vivermos bem, isto é, de acordo com a Lei de Deus, Jesus Cristo será nossa recompensa e nos reservará no Céu um belo lugar, como está escrito: "Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam" (1Cor 2, 9).
Pe. Mauro Sérgio da Silva Isabel, EP;
Revista Arautos do Evangelho, Dez/2006, n. 60, p. 18-19
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Liturgia - Santa Igreja
Existe mesmo Papai Noel? Um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, toda criança faz esta pergunta. E os pais podem responder facilmente a seus filhos, contando-lhes a bela vida de São Nicolau.
Aproxima-se o Natal! Nos centros comerciais vê-se freqüentemente um personagem com trajes de cores vivas, despertando a curiosidade geral e, nas crianças, a alegre expectativa dos presentes e das guloseimas.
Este grande Santo é apresentado indo de casa em casa, levando presentes para as crianças piedosas e bem comportadas. Narrando aos filhos sua bela vida, os pais despertam nas almas infantis o senso do maravilhoso e estimulam a prática da virtude. Com a vantagem de que, neste caso, a realidade supera a lenda.
Poucos santos gozam de tanta popularidade, e a poucos são atribuídos tantos milagres. Dele, São João Damasceno fez o seguinte elogio: "Todo o universo tem em ti um pronto auxílio nas aflições, um encorajamento nas tristezas, uma consolação nas calamidades, um defensor nas tentações, um remédio salutaríssimo nas enfermidades".
Nicolau era bastante jovem quando perdeu seus pais, herdando deles uma imensa fortuna que lhe possibilitou praticar a caridade em grande escala.
Um dia, soube de três moças que, por serem pobres, não encontravam pretendentes para casamento, e o pai pretendia encaminhá- las para uma má vida. Nicolau foi, então, de noite, e atirou para dentro do quarto do homem uma bolsa com moedas de ouro. Poucos dias depois, casava-se a filha mais velha. Repetiu Nicolau o gesto e, logo após, casava-se a segunda filha. No momento em que ele se preparava para atirar pela terceira vez o dinheiro, foi descoberto. Saindo das sombras onde estava escondido, o pai lançou-se aos pés de seu benfeitor, chorando de arrependimento e gratidão. Desde então, não se cansou de apregoar por toda parte os favores recebidos.
Em outra ocasião, ao embarcar em um navio, avisou ao comandante que teriam violenta tempestade pelo caminho. O velho lobo-do mar recebeu com irônico sorriso essa previsão de um simples passageiro. A tempestade, porém, não tardou.
E tão terrível que todos acreditaram ter chegado o seu fim. Ao saberem que um passageiro havia previsto o que estava acontecendo, correram para ele, pedindo socorro.
Nicolau rogou a Deus, e logo cessou a tempestade, acalmou-se o mar e o sol apareceu resplandecente... Tornou-se, assim, o patrono dos marinheiros, que o invocam nos momentos de perigo.
São Boaventura narra que em uma estalagem o dono havia assassinado dois estudantes para se apoderar de seu dinheiro. Horrorizado por esse hediondo crime, São Nicolau ressuscitou os jovens e converteu o assassino.
No dia em que foi sagrado Bispo de Mira, mal acabara a cerimônia, uma mulher atirou-se a seus pés, com um menino nos braços, suplicando: "Dai vida a meu filhinho! Ele caiu no fogo e teve morte horrível. Tende pena de mim. Dai-lhe a vida!" Emocionado e compadecido das dores daquela mãe, fez o sinal-da-cruz sobre o menino que ressuscitou na presença de todos os fiéis presentes à cerimônia de sagração.
Em alguns países da Europa, é costume as pessoas trocarem presentes no dia de sua festa, 6 de dezembro. A nós, também, São Nicolau não deixará de atender em nossas necessidades. Peçamos-lhe, pois, não apenas os bens materiais, mas, sobretudo, grandes dons espirituais. Que ele obtenha da Santíssima Virgem e de São José a graça de, neste Natal, nascer em nossas almas o Menino Jesus - o maior presente dado aos homens -, a fim de chegarmos à Pátria celeste, para a qual fomos criados.
Revista Arautos do Evangelho,
Dez/2003, n. 24, p. 36-37
Santa Igreja - Santos
Sábado, 23 de novembro, a Arquidiocese de Vitória encerrou solenemente o Ano da Fé com uma caminhada que ficará na memória dos capixabas como uma grande manifestação pública dessa virtude que devemos amar e praticar com todo empenho.
O trajeto foi muito simbólico: da Catedral à Praça do Papa (memorial da visita do Papa João Paulo II a Vitória), num belo ato simbólico de fidelidade à Cátedra da Verdade, contra a qual “as forças do inferno não prevalecerão”.
A participação foi calculada entre 30 a 40 mil pessoas e chamou especialmente a atenção o entusiasmo e a ordem.
O Arcebispo, Dom Luiz Mancilla Vilela e os Bispos Auxiliares solenizaram muito adequadamente o evento ao participarem paramentados com as insígnias dos altos cargos que exercem a serviço de Deus e dos fiéis.
A presença do Clero diocesano, de associações religiosas e centenas de coroinhas devidamente trajados deram um brilho especial à caminhada. O centro das atenções foi a imagem milagrosa de Nossa Senhora da Penha pois faz parte da historia capixaba. Sua chegada foi anunciada por um solene toque de trompete executado por um Arauto do Evangelho.
Homilia entusiasmada
Dom Luiz Mancilha, em sua homilia ressaltou entre outros pontos, a gratidão que devemos ter pelo dom da Fé, concedida por Deus já no Batismo: “Gratidão eterna”, dizia o Sr. Arcebispo, pois “Deus nos ama com um amor especial que só Ele pode ter”.
De nós, o que espera Deus senão nossa sincera conversão: “Convertei-vos” lembrava Dom Luiz. Lembrava que desse modo foi “o início da Igreja militante e seu espalhar pelo mundo”. Eram doze os Apóstolos; mas sua fé e zelo fez a Igreja espalhar-se pelo mundo: hoje somos mais de um bilhão de católicos. Se todos fôssemos o que devemos ser, já haveria “um só rebanho e um só pastor”.
“Nós cremos, Senhor, que só Vós sois Deus, único e verdadeiro (…) e quem vos tem no coração jamais perderá a esperança, já é um vencedor. Sobretudo tem a paz.
Mas, lembrou Dom Luiz as palavras de São Tiago na sua Epístola —“que adianta alguém dizer que tem fé se não a põe em prática”. Quem tem fé “combate o bom combate, conquista a vida eterna para a qual fomos chamados”.
Festas Litúrgicas - Santa Igreja
Hoje celebramos a Dedicação da Basílica do Latrão, Catedral do Papa, Bispo de Roma.
No século IV o Imperador Constantino deu este grande edifício ao Papa São Silvestre I, que o consagrou, dedicando-o a Deus como Catedral de Roma. A nova Catedral foi dedicada ao Divino Salvador e, mais tarde, também aos Santos João Batista e João Evangelista. Como se localiza numa antiga chácara da nobre família romana dos Laterani, foi chamada popularmente de São João do Latrão.
Nela foram realizados os quatro primeiros Concílios Ecumênicos realizados no Ocidente: em 1123 para resolver a questão das Investiduras, ou seja, provimento em algum cargo eclesiástico por parte do poder civil: em 1139, sobre questões disciplinares; em 1179 para tratar da forma de eleição do Papa; em 1215, sobre várias heresias e a reforma eclesial. Inúmeras verdades lembra esta comemoração.
Em primeiro lugar a importância de Roma onde se acha o Chefe visível da Igreja de Jesus. Santo Inácio de Antioquia, discípulo dos apóstolos, chama a Igreja de Roma de “cabeça da caridade”, revelando a posição primacial, da sede romana e, portanto, também a de seu Bispo.
É de Santo Irineu o mais eloqüente testemunho da antigüidade a favor da importância da sede romana. Assim ele se expressou no ano de 180: “A esta Igreja (romana) por sua preeminência mais poderosa, é necessário que se unam todas as Igrejas, isto é, os fiéis de todas as partes, pois nela se conservou sempre a tradição recebida dos apóstolos pelos cristãos de todas as partes”.
Recorda ainda a referida festa que em todas as sedes episcopais há Igreja Catedral onde se acha a cátedra episcopal. O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Sagrada Liturgia ensina que “todos devem atribuir a maior importância à vida litúrgica da diocese, em redor do bispo, principalmente na Igreja catedral, convencidos de que aí se realiza uma especial manifestação da Igreja pela participação plena e ativa de todo o Povo santo de Deus nas mesmas celebrações litúrgicas, sobretudo na mesma Eucaristia, numa só oração e num único altar, presidido pelo bispo cercado de seu presbitério e ministros (n.41).
Na Quinta-feira santa se celebra em todas as Catedrais a Missa do Crisma, quando são bentos os Santos Óleos, depois levados para todas as Paróquias. Pelo que foi dito, a Catedral por excelência é a do Papa em Roma, a Basílica de Latrão “Mãe e Mestra de todas as Igrejas”, da urbe romana e do orbe católico. Tudo isto lembra, além disto, a importância do Templo, lugar sagrado no qual se cultua de modo especial a Deus. É nele que se recebem os maiores favores divinos.
Pois bem, a presente solenidade traz-nos em mente e ao coração três aspectos da nossa fé.
Primeiro. Todo templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo.
Ele, no seu corpo ressuscitado, é o verdadeiro templo, do qual o Templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei... Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo”. É do corpo ressuscitado do Senhor, verdadeiro templo, que brota a água da vida, a água, que é símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo... Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio crescerá toda espécie de árvores frutíferas... que servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.
A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito do Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que nele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância! Por tudo isso, veneramos e respeitamos nossos templos: eles são imagem do próprio corpo ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, toda igreja mais importante – as paroquiais e, sobretudo, as catedrais -, são dedicadas a Deus, como Cristo, que foi todo consagrado ao Pai.
Segundo. A Igreja é, primeiramente, a Comunidade
“Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!” Nossos templos são chamados de “igreja” porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo. Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos neste mundo e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!”
Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito, para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Irmãos, a Igreja somos nós, a Igreja é cada um de nós, chamados a assumir nossa parte na edificação do Reino de Deus. Na Igreja, não somos espectadores; somos atores, somos participantes! Não nos omitamos, portanto; não recebamos a graça de Deus em vão! Tornamo-nos Igreja pelo Batismo, que nos fez membros do Corpo de Cristo e, em cada Eucaristia, vamos nos tornando sempre mais corpo de Cristo, até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça!
Terceiro. A Basílica do Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa.
O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. É por isso que hoje nos unimos à Igreja de Roma na festa da Dedicação, da consagração da sua Catedral, a basílica do Latrão. A Catedral de cada diocese é a Igreja do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Quanto mais importante é a Catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro. Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as Igrejas da Cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje convida-nos também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Bento XVI.
Convida-nos a estreitar nossos laços com Roma e o Papa, retomando nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou sua Igreja. Num mundo tão complexo, com tantas idéias, opiniões e modas, num cristianismo que vê surgir tantas seitas sem nenhum fundamento teológico, sem nenhuma seriedade, sem nenhum enraizamento na Tradição Apostólica, difundindo-se pela força do dinheiro e a conivência dos meios de comunicação, ávidos de lucro, fazendo um terrível mal à fé dos simples e desavisados – num mundo assim, reafirmemos nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e seu Bispo, a quem o Cristo entregou de modo particular as chaves do Reino e deu a missão de confirmar na fé os irmãos.
A comunhão com Roma é garantia de estar naquela comunhão que Cristo sonhou para a sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.
Que a festa hodierna seja uma feliz ocasião para professar, na exultação e no louvor, a nossa fé católica, da qual nos ufanamos com humildade e na qual esperamos ser salvos. Amém.
Dom Henrique Soares da Costa
Santa Igreja - Solenidades

Os Arautos do Evangelho são uma Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício, a primeira a ser erigida pela Santa Sé no terceiro milênio, o que ocorreu por ocasião da festa litúrgica da Cátedra de São Pedro em 22 de fevereiro de 2001
Composta predominantemente por jovens, esta Associação está presente em 78 países. Seus membros de vida consagrada praticam o celibato, e dedicam-se integralmente ao apostolado, vivendo em casas destinadas especificamente para rapazes ou para moças, os quais alternam a vida de recolhimento, estudo e oração com atividades de evangelização nas dioceses e paróquias,dando especial ênfase à formação da juventude.
Embora não professem votos e conservem-se no estado leigo - exceção feita de alguns que abraçam as vias do sacerdócio - os Arautos do Evangelho procuram praticar em toda a sua pureza fascinante os conselhos evangélicos.
Vivem normalmente em comunidade (masculinas ou femininas), num ambiente de caridade fraterna e disciplina. Em suas casas fomenta-se uma intensa vida de oração e estudo, seguindo-se a sapiencial diretriz do Papa João Paulo II:
"A formação dos fiéis leigos tem como objetivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da própria vocação e a disponibilidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento da própria missão" (Christifidelis Laici, 58).
Outra categoria de membros são os Cooperadores, os quais "embora sintam-se identificados com o espírito da Associação - lê-se nos Estatutos - não podem comprometer-se plenamente com os objetivos dela, devido a seus compromissos sacerdotais, ao fato de pertencerem a algum instituto de vida consagrada ou sociedade de vida apostólica, ou a seus deveres matrimoniais ou profissionais".
Leigos, casados ou solteiros que vivem no mundo, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas, leigos de vida consagrada ou membros de outras associações ou movimentos apostólicos, os Cooperadores dos Arautos do Evangelho, além de observarem os preceitos e deveres próprios a seu estado, esforçam-se por viver em conformidade com o carisma e a espiritualidade da Associação, dedicando a ela seu tempo livre e se comprometendo a cumprir certas obrigações.
Finalidade
Nos primeiros artigos de seus Estatutos encontra-se delineada a vocação dos Arautos do Evangelho:
"Esta Associação .... nasceu com a finalidade de ser instrumento de santidade na Igreja, ajudando seus membros a responderem generosamente ao chamamento à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade, favorecendo e alentando a mais íntima unidade entre a vida prática e a fé. .... Além disso, a Associação tem como fim a participação ativa, consciente e responsável de seus membros na missão salvífica da Igreja através do apostolado, ao qual estão destinados pelo Senhor, em virtude do Batismo e da Confirmação. Devem, assim, atuar em prol da evangelização, da santificação e da animação cristã das realidades temporais."
Espiritualidade
Os Arautos têm sua espiritualidade alicerçada em três pontos essenciais: a Eucaristia, Maria e o Papa, como está definido nos seus estatutos:
"A espiritualidade tem como linhas mestras a adoração a Jesus Eucarístico, de inestimável valor na vida da Igreja para construí-la como una, santa, católica e apostólica, corpo e esposa de Cristo (EE 25, 61); a filial piedade mariana, imitando a sempre Virgem e aprendendo a contemplar n'Ela o rosto de Jesus (NMI 59); e a devoção ao Papado, fundamento visível da unidade da fé (LG 18)."
Esses pontos estão representados em destaque no brasão que os distingue.
Carisma
Seu carisma os leva a procurar agir com perfeição em busca da pulcritude em todos os atos da vida diária, mesmo estando na intimidade e está expresso no sublime mandamento de Jesus Cristo: "Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito" (Mt 5, 48).
Para o Arauto do Evangelho, este chamamento à perfeição não deve ficar restrito aos atos interiores, mas exteriorizar-se em suas atividades, de modo que melhor reflitam a Deus. Isto quer dizer que ele deve revestir de cerimonial as suas ações cotidianas, seja na intimidade de sua vida particular, seja em público, na obra evangelizadora, no relacionamento com os irmãos, na participação da Liturgia, nas apresentações musicais e teatrais, ou em qualquer outra circunstância.
Esta procura da perfeição significa não só abraçar a verdade, praticar a virtude, mas também fazê-lo com pulcritude, com beleza, a qual pode ser importante elemento de santificação.
Com razão lembra o Santo Padre, na Carta aos Artistas, o oportuno ensinamento do Concílio Vaticano II:
O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração".
Evangelização através da cultura e da arte
Por verem na cultura e na arte eficazes instrumentos de evangelização, os Arautos habitualmente lançam mão da música, tanto pelas vozes como pelos instrumentos.
Assim é que grande número de coros, orquestras e conjuntos musicais foram constituídos por Arautos, a fim de levar sua mensagem de fé e de esperança à sociedade contemporânea .
Esse papel tão importante da arte tem sido ressaltado pelo Papa Bento XVI - ele mesmo um grande apreciador de música - em várias ocasiões, como por exemplo nas palavras finais de agradecimento pelo concerto oferecido pelo Presidente da República Italiana por ocasião do terceiro aniversário do pontificado, a 24/04/2008:
Existe uma misteriosa e profunda relação entre música e esperança, entre canto e vida eterna: por este motivo a tradição cristã representa os espíritos bem-aventurados, enquanto cantam no coro, raptados e extasiados pela beleza de Deus. Porém a arte autêntica, como a oração, não nos torna alheios à realidade cotidiana; mas nos conduz a ela para "impregná-la" e fazer que reviva, para que dê frutos benéficos e paz".
Santa Igreja
A obra de São Carlos Borromeu, um dos santos mais importantes e mais queridos da Igreja, poderia ser resumida em duas palavras: dedicação e trabalho.
Mas para fazer justiça, como ele sempre pregou, temos que acrescentar mais uma, sem dúvida a mais importante: humildade.
Oriundo da nobreza, Carlos Borromeu utilizou a inteligência notável, a cultura e o acesso às altas elites de Roma para posicionar-se à frente, ao lado e até abaixo dos pobres, doentes e, principalmente, das crianças.
Nasceu no castelo da família em Arona, próximo de Milão, a 02 de outubro de 1538. O pai era o conde Gilberto Borromeu e a mãe era Margari da de Médicis, a mesma casa da nobreza de grande influência na sociedade e na Igreja. Carlos era o segundo filho do casal, e aos doze anos a família o entregou para servir à Deus, como era hábito na época. Com vocação religiosa acentuada, penitente, piedoso e caridoso como os pobres.
Levou a sério os estudos diplomando-se em Direito Canônico, aos vinte e um anos de idade. Um ano depois fundou uma Academia para estudos religiosos, com total aprovação de Roma. Sobrinho de Pio IV, aos vinte e quatro anos já era sacerdote e Bispo de Milão. Na sua breve trajetória, deixou-se guiar apenas pela fé, atuando tanto na burocracia interna da Igreja quanto na evangelização, sem fazer distinção para uma ou para a outra.
Talvez tenha sido o primeiro secretário de estado no sentido moderno da expressão. Formado pela universidade de Pávia, liderou uma reforma radical na organização administrativa da Igreja, que naquele período era alicerçada no nepotismo, abusos de influencias e sintomas graves de corrupção e decadência moral.
Orientou muitas ordens e algumas que surgiram depois de sua morte o escolheram para padroeiro, dando continuidade à grandiosa obra de amparo aos mais pobres, que nos deixou. Contudo, tudo foi muito difícil, porque encontrou muita resistência de ordens conservadoras. Aliás, foi inclusive vítima de um covarde atentado enquanto rezava na capela. Mas saiu ileso e humildemente perdoou seu agressor.
Chegou o ano 1576 e com ele a peste. Milão foi duramente assolada e mais de cem padres pagaram com a própria vida as lágrimas que enxugaram de casa em casa. Um dos mais ativos era Carlos Borromeu. Visitava os contaminados, levando-lhes o sacramento e consolo sem limites nem precauções, num trabalho incansável que lhe consumiu as energias. Chegou a flagelar-se em procissões públicas, pedindo perdão a Deus em nome de seu povo.
Até que um dia foi apanhado finalmente pela febre, que minou seu organismo lentamente. Morreu anos depois se dizendo feliz por ter seguido os ensinamentos de Cristo e poder se encontrar com ele de coração puro.
Tinha apenas quarenta e seis anos de idade, quando isso aconteceu no dia 04 de novembro de 1584, na sua sede episcopal, na Itália. O Papa Paulo V o canonizou no ano 1610 e designou a festa em homenagem à memória de Santo Carlos Borromeu, para o dia de sua morte [1].
Bento XVI a ele referindo-se (Ângelus - 4/11/2007) afirmou: “Sua figura destaca-se no século XVI como modelo de pastor exemplar pela caridade, doutrina, zelo apostólico e sobretudo, pela oração.
Dedicou-se por completo à Igreja ambrosiana: a visitou três vezes; convocou seis sínodos provinciais e onze diocesanos; fundou seminários para formar uma nova geração de sacerdotes; construiu hospitais e destinou as riquezas de família ao serviço dos pobres; defendeu os direitos da Igreja contra os poderosos; renovou a vida religiosa e instituiu uma nova Congregação de sacerdotes seculares, os Oblatos. (...) Seu lema consistia em uma só palavra: “Humilitas”. A humildade o imipulsionou, como o Senhor Jesus, a renunciar a si mesmo para fazer-se servo de todos”.
Santa Igreja - Santos
Bispo Auxiliar comemora 56 Anos. Filho de Gabriel Dias Calvo e Irene Lopes Dias, Dom Joaquim nasceu aos 23 de outubro de 1957, em Cafelândia.
Fez o ensino básico no Grupo Escolar de Cafelândia e o ensino médio na Escola Estadual Professor José Ranieri, em Bauru. Em 1979 gradua-se em Administração de Empresas, na Faculdade Padre Anchieta em Jundiaí. A iniciação cristã foi realizada na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em sua terra natal, Cafelândia, pertencente a Diocese de Lins.
Foi ordenado sacerdote no dia 12 de dezembro do mesmo ano. A partir de então, exerceu as seguintes funções na Diocese de Jundiaí:
Co-diretor do movimento Cursilho de Cristandade (a partir de dezembro de 1997);
Vigário Paroquial da Paróquia São Sebastião, Itupeva aos 25 de dezembro de 1997;
Pároco da Paróquia São Francisco de Assis,
Campo Limpo aos 25 de janeiro de 1999;
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, Várzea Paulista aos 18 de outubro de 2001;
Presbítero a serviço da Diaconia Territorial de Santo Antônio, Botujuru, Campo Limpo Paulista em 1 de junho de 2002;
Vice-Reitor do Seminário Maior Nossa Senhora do Desterro, Jundiaí aos 25 de janeiro de 2003;
Membro do Colégio de Consultores da Diocese de Jundiaí em 1 de janeiro de 2006;
Reitor do Seminário Maior Nossa Senhora do Desterro, Jundiaí em 1 de fevereiro de 2006;
Vigário Paroquial da Paróquia Nova Jerusalém, Jundiaí em 1 de fevereiro de 2006;
Vigário Geral da Diocese de Jundiaí, aos 6 de fevereiro de 2006;
Pároco da Paróquia São Roque, Jundiaí aos 27 de janeiro de 2009;
Administrador Diocesano, aos 31 de março de 2009.
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória
Aos 21 de dezembro de 2011 foi nomeado pelo Papa Bento XVI Bispo Titular de “Sita” e como bispo-auxiliar da Arquidiocese de Vitória - ES.
Bispos e Arcebispos da Igreja - Santa Igreja
São Francisco foi um grande santo, e um homem cheio de alegria. "A sua simplicidade, a sua fé, o seu amor por Cristo, a sua bondade por cada homem o fizeram feliz em toda situação. Olhando para ele, compreendemos que é este o segredo a verdadeira felicidade: tornarmo-no santos!" (Bento XVI)
De onde começa o caminho de Francisco para Cristo? Começa do olhar de Jesus na cruz. Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular, na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo, que poderei também eu venerar hoje. Naquele crucifixo, Jesus não se apresenta morto, mas vivo! O sangue escorre das feridas das mãos, dos pés e do peito, mas aquele sangue exprime vida. [...] Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixar-nos olhar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor.
Faço minha a oração de São Francisco por Assis, pela Itália, pelo mundo: «Peço-Vos, pois, ó Senhor Jesus Cristo, pai das misericórdias, que Vos digneis não olhar à nossa ingratidão, mas recordai-Vos da superabundante compaixão que sempre mostrastes [por esta cidade], para que seja sempre o lugar e a morada de quantos verdadeiramente Vos conhecem e glorificam o vosso bendito e gloriosíssimo nome pelos séculos dos séculos. Amen» (Espelho de perfeição, 124: FF, 1824).
(Papa Francisco, na Visita Pastoral a Assis, 4 de outubro de 2013)
São Francisco de Assis nasceu em 1182, tendo partido para a Eternidade em 1226, aos 44 anos de idade. Na região e na época em que viveu era grande o apego ao luxo e às riquezas, o que minava a sociedade e causava danos à Igreja. Propôs ele um novo ideal de pobreza, obediência e castidade, tendo fundado a Ordem dos Frades Menores (franciscanos), que se expandiu pelo mundo através de várias ramificações. Também, com Santa Clara, fundou a ordem das Clarissas.
Havia se iniciado o século XIII. O jovem filho de um bem sucedido comerciante da cidade de Assis, até então apegado às amizades, aos bens materiais e às atrações do mundo, como a quase totalidade dos rapazes de sua idade, começa a inclinar-se à carreira das armas. Em uma batalha foi preso, tendo de aguardar cerca de um ano até ser resgatado, quando então foi prostrado por uma doença. Recuperado, tentou novamente engajar-se em um exército, porém o chamado de Deus foi mais forte: o jovem João, apelidado Francisco (nome pelo qual se tornou conhecido), voltou-se para o Criador, pois passou a vê-lo com os olhos do espírito ao considerar as virtudes através das quais Ele se revelava.
A juventude e a conversão
Certa vez um pobre adentrou a loja em que estava Francisco ocupado com os negócios, para pedir uma esmola pelo amor de Deus, sendo despedido com rispidez sem nada ganhar. A consciência de Francisco logo o acusou, dizendo: "se ele tivesse pedido algo em nome de algum conde ou barão, com certeza o terias atendido; quanto mais não o deverias ter feito pelo Rei dos reis e Senhor de todos". Tomou ali Francisco a decisão de nunca mais negar o que lhe fosse pedido em nome de tão grande Senhor.
Francisco passou a dar generosas esmolas aos pobres que encontrava, inclusive distribuindo suas roupas e outros bens, procurando assim seguir o mandamento do amor ao próximo tantas vezes ilustrado pelos fatos e parábolas narrados nas Sagradas Escrituras. Passou a ser alvo de críticas e deboches por parte dos habitantes da região, e de grande raiva por parte de seu pai, dotado de profundo apego a todos os bens e riquezas que acumulara no comércio de tecidos em que enriquecera.
A rejeição ao mundo e a entrega à pobreza
O conflito familiar chegou a tal ponto que o pai de Francisco, Pedro de Bernardone, levou o caso ao bispo, acusando o filho de dissipar sua fortuna e exigindo uma compensação por tudo o que fora por ele retirado de sua loja para dar aos pobres. Então o jovem, inspirado pelo Espírito Santo, tomou a decisão inimaginável por todos os que ali presenciavam a cena: entregou ao avarento progenitor tudo o que tinha consigo, inclusive as próprias roupas, e disse: doravante não mais direi "meu pai Pedro de Bernardone", e sim "Pai nosso que estais no Céu". Coberto apenas pelo cilício (um áspero couro animal destinado a incomodar a pele, que usava sob as roupas para combater certos impulsos corporais), Francisco foi então abrigado pela capa cedida pelo bispo, ali renunciando publicamente à herança; pediu a bênção episcopal e partiu para a vida de pobreza, passando depois a ter por companheiros vários amigos que quiseram seguir a mesma via de perfeição. Não chegara sequer aos 25 anos quando esses fatos ocorreram. Era o início da família franciscana, que não se restringiu ao sexo masculino, pois Francisco, com a jovem Clara - que se inclinou a seguir os passos desse santo homem -, fundou o ramo feminino, que obteve do papa Inocêncio III o reconhecimento do direito de ser pobre e de nada possuir.
Diz-se que Francisco e a Pobreza contraíram um casamento místico. Na verdade, conforme estudos aprofundados feitos nos antiquíssimos escritos históricos e alegóricos a respeito do Fundador e dos primeiros franciscanos, nota-se que o que Francisco fez foi uma vassalagem mística com a Pobreza, a quem se entregou para servi-la. A ela se referia como "minha senhora", expressão que na época caracterizava uma obediência e com a qual se entregava àquela virtude que tanto admirava.
Entre as mais famosas e importantes virtudes, que no homem preparam um lugar para Deus e ensinam o caminho melhor e mais rápido para chegar até Ele, a santa Pobreza sobressai a todos por uma certa prerrogativa e supera os títulos das outras por uma beleza singular. Ela é fundamento e guardiã das virtudes todas, e entre as conhecidas virtudes evangélicas ela tem, merecidamente, um lugar de honra. Essas palavras iniciam o texto alegórico que mostra a relação mística entre o Fundador franciscano e a Senhora Pobreza, esposa de Cristo.
A Oração da Paz, espelho do amor ao próximo
Em tudo Francisco procurava seguir o Evangelho, como bem se pode perceber nas belas palavras da Oração da Paz que externam o amor ao próximo, e que nunca perderam a atualidade:
Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar que ser consolado.
Compreender que ser compreendido; amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
Algumas admoestações de Francisco evidenciam a paz e o amor que se deve ter para com o próximo. Disse ele, comentando as palavras do Divino Mestre "bem aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus": São verdadeiramente pacíficos os que, no meio de tudo quanto padecem neste mundo, se conservam em paz, interior e exteriormente, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Disse também que é bem aventurado o homem que suporta o seu próximo com suas fraquezas tanto quanto quisera ser suportado por ele se estivesse na mesma situação. E ainda, referindo-se à benquerença que deve reinar nas Casas da família franciscana: Bem aventurado o servo que ama o seu confrade enfermo que não lhe pode ser útil, tanto como ao que tem saúde e está em condições de lhe prestar serviços. Bem aventurado o servo que tanto ama e respeita o seu confrade quando está longe como se estivesse perto, e não diz na ausência dele coisa alguma que não possa dizer na sua presença sem lhe faltar à caridade.
Irmão Sol, irmão vento, irmã água, irmão fogo
Vendo a presença de Deus em tudo, Francisco compôs o belíssimo Cântico das Criaturas em que manifesta irmandade até mesmo com os seres inanimados ao neles perceber que, como o homem, foram criados pelo Altíssimo, a quem é devido todo o louvor:
Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra, e toda a bênção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos,
e nenhum homem é digno de te mencionar.
Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e com sua luz nos ilumina.
E ele é belo e radiante, com grande esplendor;
de ti, Altíssimo, ele é a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas;
no céu as formastes claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento
e pelo ar, ou nublado ou sereno, e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e jucundo, e vigoroso e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra,
que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos,
com flores coloridas, e ervas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem aventurados aqueles que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã, a Morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar conformes a tua santíssima vontade,
porque a morte segunda não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade.
Saudação à Mãe de Deus
A Santíssima Virgem, honrada na capelinha de Santa Maria dos Anjos (a Porciúncula, de onde Francisco, ao findar seus dias neste mundo, partiria rumo à Casa do Pai) era especialmente venerada pelo Pobrezinho de Assis, que lhe compôs uma singela saudação:
Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja, eleita pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou por seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito! Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem! Salve, ó palácio do Senhor! Salve, ó tabernáculo do Senhor! Salve, ó morada do Senhor! Salve, ó manto do Senhor! Salve, ó serva do Senhor! Salve, ó Mãe do Senhor, e salve vós todas, ó santas virtudes derramadas pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em servos fiéis de Deus!
Discernindo em tudo o Criador
Vós sois o santo Senhor e Deus único, que operais maravilhas. Vós sois o Forte. Vós sois o Grande. Vós sois o Altíssimo. Vós sois o Rei onipotente, santo Pai, Rei do Céu e da Terra. Vós sois o Trino e Uno, Senhor e Deus, Bem universal. Vós sois o Bem, o Bem universal, o sumo Bem, Senhor e Deus, vivo e verdadeiro. Vós sois a delícia do amor. Vós sois a Sabedoria. Vós sois a Humildade. Vós sois a Paciência. Vós sois a Segurança. Vós sois o Descanso. Vós sois a Alegria e o Júbilo. Vós sois a Justiça e a Temperança. Vós sois a Plenitude da Riqueza. Vós sois a Beleza. Vós sois a Mansidão. Vós sois o Protetor. Vós sois o Guarda e o Defensor. Vós sois a Fortaleza. Vós sois o Alívio. Vós sois nossa Esperança. Vós sois nossa Fé. Vós sois nossa inefável Doçura. Vós sois nossa eterna Vida, ó grande e maravilhoso Deus, Senhor Onipotente, misericordioso Redentor.
Vê-se, nessas inspiradas palavras, o profundo entendimento das riquíssimas qualidades de Deus manifestado por aquele que se entregou à pobreza, e que abraçou os conselhos evangélicos e as demais virtudes que tão bem percebia no Criador, a quem se deu por inteiro. Dotado de personalidade marcante, Francisco deixou-se impregnar pelas qualidades divinas de tal forma que não só a época em que viveu ficou marcada por sua passagem por este mundo, mas também os séculos que se seguiram. Deixou-nos ele um dos maiores exemplos da verdadeira contemplação das perfeições de Deus - que chegavam a levá-lo a um verdadeiro êxtase - e do amor que se deve ter para com Ele, sem o que nenhuma religiosidade atinge sua plenitude.
Assemelhando-se cada vez mais ao Altíssimo
Francisco tanto amou o Altíssimo que não só no espírito, mas também no corpo, assemelhou-se a Deus. Cerca de dois anos antes de sua morte, foi agraciado com as marcas da Paixão de Cristo, passando a ter nas mãos e pés as feridas correspondentes à crucifixão; na mesma ocasião também foi dotado de uma chaga correspondente à que foi feita pelo soldado que, com a lança, transpassara o coração de Jesus. Indo de encontro à cruz, teve a glória de receber os estigmas do Crucificado.
Os estigmas da Paixão foram concedidos a Francisco em seguida a um momento de profunda oração contemplativa no Monte Alverne, em que o Crucificado lhe apareceu sob a forma inicial de um Serafim com seis asas. Registrou-se que suas mãos e pés pareciam atravessados bem no meio pelos cravos, aparecendo as cabeças no interior das mãos e em cima dos pés, com as ponta saindo do outro lado. Os sinais eram redondos no interior das mãos e longos no lado de fora, deixando ver um pedaço de carne como se fossem pontas de cravos entortados e rebatidas, saindo para fora da carne. Também nos pés estavam marcados os sinais dos cravos, sobressaindo da carne. O lado direito parecia atravessado por uma lança, com uma cicatriz fechada que muitas vezes soltava sangue, de maneira que sua túnica e suas calças estavam muitas vezes banhadas no sagrado sangue. Infelizmente foram muito poucos os que mereceram ver a ferida sagrada do seu peito, enquanto viveu crucificado o servo do Senhor crucificado. [...] Pois tinha muito cuidado em esconder essas coisas dos estranhos, e ocultava-as mesmo dos mais chegados, de maneira que até os irmãos que eram seus companheiros e seguidores mais devotados não souberam delas por muito tempo.
Buscando a perfeição, Frei Francisco tinha por costume não revelar, senão a poucos, ou a ninguém, o seu principal segredo, temendo que a revelação lhe trouxesse alguma predileção por parte dos outros que resultasse em detrimento da graça que tinha recebido. Por isso guardava sempre em seu coração e repetia aquela frase do profeta: "Escondi tuas palavras em meu coração para não pecar contra ti".
SÃO FRANCISCO DE ASSIS
(Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano).
Petrópolis, Editora Vozes, 2000, 9ª edição.
Santa Igreja - Solenidades
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