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Eis que envio o meu anjo ante a tua presença, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E apareceu João Batista no deserto, pregando o batismo de penitência, para remissão dos pecados.

Um dia, João, com dois discípulos, eis o que tira os pecados do mundo.

Ouvindo aquelas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. O Senhor, voltando-se para trás, e vendo que o seguiam, perguntou-lhes:

- Que buscai vós? - Responderam-lhe, perguntando:

- Mestre, onde habitas? - Disse-lhe Jesus:

- Vinde ver.

Foram e viram onde habitava, e ficaram com Ele aquele dia.

Ora, André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que haviam ouvido o que João Batista dissera e seguira Jesus.

André, encontrando-se com o irmão Simão, disse-lhe:

- Encontramos o Messias.

E levou-o ao Senhor Jesus.

Nosso Senhor, ficando em Simão o olhar, disse-lhe:

- Tu és Simão, filho de Jonas. Serás chamado Cefas.

Eis como André levou o irmão a Jesus, aquele sobre o qual seria edificada a igreja do Mestre. E que belo par de irmãos! Eram eles então discípulos de Jesus, mas não o seguiam ainda habitualmente. Ora, diz o Evangelho que, passando Jesus ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André que lançavam a rede, pois eram pescadores.

Aproximando-se dos dois, Jesus disse-lhe:

- Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens.

No mesmo instante, abandonaram ambos as redes e seguiram o Senhor. E, tendo passado um pouco adiante donde então estiveram, viram Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão,que estavam também numa barca, consertando as redes. Chamou-os, e eles, deixando na barca o pai, Zebedeu, com os jornaleiros, seguiram o Senhor.

Depois foram a Cafarnaum e à Sinagoga. Logo que deixaram a Sinagoga, foram à casa de Simão e André com Tiago e João. Ora, a sogra de Simão estava de cama, com febre. A Jesus falaram a respeito dela. Aproximando-se, o Senhor tomou-a pela mão e levantou-a. Imediatamente, deixou-a a febre e pôs-se a servi-los, solícita e lépida.

De tarde, sendo o sol já posto -porque era um dia de sábado e os judeus nada faziam antes desta hora - trouxeram a Jesus todos os enfermos e possessos. Toda a cidade estava reunida diante da porta. O Senhor, impondo as mãos ora neste, ora naquele, já naquele outro, ia a todos curando e expelindo muitos demônios, de maneira que cumpria o que fora dito pelo profeta Isaías: Tomou para si as nossas fraquezas, e está carregado de nossas enfermidades.

Os demônios, saindo do corpo de muitos, gritavam, dizendo:

- Vós, sois o Cristo, o Filho de Deus.

Mas o Senhor, ameaçando-os, não lhes permitia dizer que o conheciam, porque, sendo o diabo o pai da mentira, Jesus não lhe queria o testemunho, mesmo verdadeiro.

No dia seguinte, levantando-se o Mestre muito antes do amanhecer, saiu, e foi a um lugar solitário. E lá fazia orações.

Simão e os demais foram procurá-los. E, tendo-o encontrado, disseram-lhe:

- Todos te procuram.

Respondeu-lhes Jesus:

- Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de que eu também lá pregue, pois para isso é que vim. E andava pregando nas sinagogas e por toda a Galiléia. E pregando o Evangelho do reino de Deus, curava todas as enfermidades entre o povo.

A fama espalhou-se por toda a Síria; traziam-lhe todos os que tinham algum mal, possuídos de vários achaques e dores, e os possessos, os lunáticos, os paralíticos: a todos curava-os Jesus.

Grandes multidões de povo, da Galiléia, e da Decápolis, e de Jerusalém, e da Judéia, e do país de além do Jordão, o seguiam.

Ora,, comprimindo-se as multidões em volta do Senhor para ouvir a palavra de Deus, como estavam junto ao lago de Genezaré, viu Ele duas barcas que estacionavam à margem. Os pescadores haviam saído e lavavam as redes. Entrando numa dessas barcas - que era a de Simão - rogou-lhe se afastasse um pouco da terra. E, estando sentado, ensinava o povo, da barca.

Quando acabou de falar, disse a Simão:

- Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.

Respondendo Simão, disse-lhe:

- Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhamos nada. Mas, sobre a tua palavra lançarei a rede.

Tendo feito aquilo, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompia. Então, fizeram sinal aos companheiros que estavam na outra barca, para que lá fossem ajudá-los. Assim foi, e encheram tanto ambas as embarcações que quase se afundavam.

Simão Pedro, vendo aquilo, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo:

- Retira-te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador.

Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele ficaram possuídos de espanto, por causa da pesca que haviam feito.

O mesmo acontecera a Tiago e a João, filhos ambos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão.

Jesus olhou-os, e disse a Simão:

- Não tenhas medo: desta hora em diante serás pescador de homens.

E, trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram a Jesus.

Antes, como viviam da pesca, às vezes à faina do mar retornavam. Talvez pescassem à noite e seguissem o Mestre durante o dia.

Depois daquela pesca miraculosa, porém, deixaram-na definitivamente, e não só ao labor, mas a tudo - o que dá a entender a vocação última e definitiva: ligar-se ao Mestre inseparavelmente.

Mais tarde, tendo convocado os doze discípulos, deu-lhes Jesus poder sobre os espíritos imundos, para os expelirem, e curarem todas as doenças e todos os achaques. E eram os doze Simão, chamado Pedro, e André seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem entregou o Mestre.

Jesus instruindo-os, disse-lhes:

- Não vades agora para entre os gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. E, pondo-vos a caminho, pregai, dizendo: "Está próximo o reino dos céus."

Continuando, disse-lhes:

- Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expedi os demônios. Daí graça o que de graça recebestes.

E dizia mais:

- Não queirais trazer nas vossas cinturas bem curo, bem rata, nem dinheiro, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão - porque o operário é digno do seu alimento.

E acrescentou:

- Em qualquer cidade ou aldeia, logo ao entrardes, informai-vos de quem há nela digno de vos receber, e ficai aí até que vos retireis. Ao entrardes na casa, saudai-a, dizendo: A paz esteja nesta casa. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela a vossa paz. Se não for digna, a vossa paz retornará para vós. Se não vos receberem nem ouvirem as vossas palavras, ao sair para fora daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo: será menos punida no dia do juízo a terra de Sodoma e Gomorra, do que aquela cidade. Eis que eu vos mando como ovelhas no meio dos lobos. Sede pois prudentes como serpentes, e simples como pombas.

Antes de enviar os apóstolos por toda a terra, Jesus enviou-os à Judéia, para que ali fizessem uma espécie de noviciado, como num seminário.

De volta daquela missão, reunidos a Ele, contaram-lhe o que haviam feito e ensinado. E Jesus lhes disse:

- Vinde à parte, a um lugar solitário, e descansai um pouco.

Porque eram muitos os que iam e vinham, e nem tinham tempo para comer. Entrando, pois, numa barca, retiraram-se à parte, a um lugar solitário.

Muitos, porém, os viram partir e souberam para onde iam. E para lá foram, ao solitário lugar, a pé. Antes de Jesus e dos Apóstolos mesmo chegarem, já uma grande multidão os aguardava. E era gente de todas as cidades.

Jesus teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas.

Fazendo-se tarde, chegaram a Ele os discípulos e disseram-lhe:

- Este lugar é solitário e a hora é já adiantada: despede-os, a fim de que possam ir às quintas e povoados próximos e comprem alguma coisa para comer.

Perguntou Jesus a Filipe:

- Onde compraremos nós pão, para dar de comer a esta gente?

O Mestre, porém, assim dizia para o discípulo experimentar, porque sabia o que havia de fazer. Respondeu-lhe Filipe:

- Senhor, duzentos dinheiros de pão não bastam para que cada um receba um pequeno bocado.

Um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse:

- Está aqui um jovem, que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isso para tanta gente?

Jesus, porém, disse:

- Mandai sentar essa gente.

Havia muita erva naquele lugar. Sentaram-se, pois, os homens, em número de cinco mil. E Jesus, tomando os pães do jovem que os trazia, dando graças, distribuiu-os entre os que estavam recostados e igualmente os peixes, quanto eles queriam. 

Estando assim todos saciados, disse o Senhor aos discípulos:

- Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

Eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido. E aqueles homens, vendo o milagre que Jesus fizera, diziam:

- Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo. Durante as últimas festas da Páscoa estava Jesus em Jerusalém. Ora, havia alguns gregos, daqueles que tinham ido adorar a Deus no dia da festa: aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e fizeram-lhe este pedido, dizendo:

- Senhor, desejamos ver a Jesus.

Foi Filipe e disse-o a André. André e Filipe disseram-no a Jesus. E Jesus, respondeu-lhes:

- Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado. Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo. Mas, se morrer, produz muito fruto. O que ama a sua vida, perde-la-á, e quem aborrece a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me. E onde eu estou, estará ali também o que me serve. Se alguém me servir, meu Pai o honrará. Agora minha alma está turbada. E que direi eu? Pai, livra-me desta hora. Mas é para isso que eu cheguei a esta hora. Pai glorifica o teu nome.

Então veio do céu esta voz: Eu glorifiquei e glorificarei novamente.

Ora, o povo que ali estava e ouvira, dizia:

- Foi um trovão!

E outros:

- Um anjo lhe falou.

Jesus respondeu:

- Esta voz não veio por amor de mim, mas veio por amor de vós. Agora é o juízo deste mundo. Agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim.

Dizia isto para designar de que morte havia de morrer.

Nos gentios que o queriam ver, Jesus fixou imediatamente o pensamento: devia ser o fruto de sua morte. Os grandes profetas e as grandes profecias estão lhe presentes. O pequeno voi o grande. O que os magos haviam começado na sua infância, no presépio, que era a conversão dos gentios em suas pessoas mesmas, continuava ainda pelo tempo de sua morte. E o Salvador, notando nos gentios o desejo de o ver, com o dos judeus em o perder, via, ao mesmo tempo, naquilo, o principiar do grande mistério da vocação de uns, pela cegueira e reprovação de outros. Por isso disse: Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado.Vem os gentios, e seu reino estender-se-á por toda a terra.

E via mais, e mais longe. Via, segundo os profetas antigos, que seria pela morte que devia conquistar novo povo e a numerosa posteridade que lhe fora prometida. Foi depois de ter dito: Perfuraram meus pés e minhas mãos, que Davi acrescentou: Todas as nações converter-se-ão ao Senhor. E Isaías: Se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo. Mas se morrer, produz muito fruto.

É assim que vemos nas palavras de Jesus o verdadeiro comentário e a verdadeira explicação das profecias.

Agora minha alma está turbada: eis o começo da agonia, daquela agonia que devia sofrer no Jardim das Oliveiras; do combate interior que devia combater contra o suplício, contra o Pai, por assim dizer, contra si mesmo. E que direi eu? Pai, livra-me desta hora. Mas não, era para isso que chegara aquela hora. Pai, glorifica o teu nome. É pelo devotamento ao Pai que lançará fora o príncipe deste mundo, e que, do alto da cruz, atrairá todas as coisas.

Jesus, saindo do templo onde havia pregado dizendo-lhe alguns, a respeito do templo, que estava ornado de belas pedras e de ricas ofertas, disse:

- De tudo isto que vedes, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra, que não seja demolida.

Quando estavam sobre o Monte das Oliveiras, descortinando-se o templo, abordaram-nos os discípulos em particular, e Pedro, Tiago, João e André perguntaram-lhe:

- Mestre, quando acontecerão estas coisas, e que sinal haverá, quando estiverem para acontecer?

Os apóstolos, na pergunta, confundiam a ruína de Jerusalém, a de todo o universo e o fim dos séculos, o que levou a Jesus a lhes falar:

- Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis. Estas coisas devem suceder primeiro, mas não será logo o fim.

De resto, havia para tal uma razão profunda, uma vez que Jerusalém e o templo eram imagem do universo. A ruína de um era naturalmente a figura da ruína de outro.

Depois da ressurreição, estando Jesus com os apóstolos à mesa, ordenou-lhes se não afastassem de Jerusalém. Que esperassem a promessa do Pai:

- A que ouvistes, disse Ele da minha boca. Porque João na verdade batizou em água, mas vós seres batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias.

Então, os que se tinham congregado interrogavam-no dizendo:

- Senhor, porventura chegou o tempo em que ides restabelecer o reino de Israel?

Ele lhes disse:

- Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai reservou ao seu poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até as extremidades da terra.

Levou-os para fora, e até perto de Betânia. E, levantando as mãos, abençoou-os. Ora, aconteceu que, enquanto os abençoava, separou-se deles, e elevava-se ao céu. E uma nuvem ocultou-o do olhar de todos. Como estivessem olhando para o céu, quando Ele ia subindo, eis que se apresentaram junto deles dois personagens vestidos de branco, os quais lhe disseram:

- Homens da Galiléia, porque estais aí parados olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu.

Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado, cheios de júbilo.

Logo que chegaram, subiram ao cenáculo, onde permaneciam habitualmente Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveraram unanimemente em oração, com as mulheres, e com Maria, Mãe de Deus, e com os irmãos dele.

Quando se completaram os dias do Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar. E, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E, apareceram-lhes repartidas uma como línguas de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Viera-lhes prometido. Agora era ir e ensinar a todas as nações, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus estaria com eles todos os dias, até a consumação dos séculos.

Segundo os esclarecimentos dos Doutores da Igreja, o apóstolo Santo André pregou o Evangelho na Cítia, na Sogdiana, na Cólquida, na Grécia, particularmente no Épiro, e terminou a vida pelo martírio em Patras, na Acaia. A igreja conta-nos as circunstâncias:

Assim como o irmão, o chefe dos Apóstolos, teve a glória de ser crucificado, como o mestre fora. Como pregava em Patras o mistério da cruz e convertia multidões, o procôncul Egéias, encolerizado, disse-lhes:

- Cessa de louvar Cristo, porque discursos semelhantes não o impediram de ser morto na cruz pelos judeus. 

André replicou, calmamente:

- Cristo ofereceu-se livremente para ser crucificado, senhor. Morreu para salvar o gênero humano, a todos nós resgatando.

O procônsul sorriu:

- Trata mas é de salvar a vida, sacrificando aos ídolos.

- Só sacrifício, e todos os dias, respondeu o apóstolo ao Deus Todo-poderoso, que é um só e verdadeiro. Sacrifico sobre o altar, não a carne dos touros, nem o sangue dos bodes, mas o Cordeiro sem mancha, o Cordeiro que, depois de ter sido imolado e comido por todo o povo, pelos fiéis, continua sempre inteiro e vivo.

Egéias, encolerizadíssimo, chamou alguns homens da guarda e gritou:

- Agarrai este homem que me não dá sossego! Masmorra com ele!

O povo, facilmente, tê-lo-ia livrado tão exaltado estava, mas André suplicou-lhe, todo doçura. Não, que não o privassem do martírio, da glória do martírio!

O procônsul, diante do qual André novamente exaltara o mistério da cruz, condenou-o à crucifixão. Para imitar o Cristo. Levado ao lugar do suplício, André gritou, todo êxtase, assim que viu o madeiro:

-Ó Cruz belíssima que foste glorificada pelo contato que tivesse do corpo de Cristo, cruz longa, docemente desejada, ardentemente querida, sempre procurada, e enfim preparada para o meu coração apressado, de ti desejoso! Recolhe-me , abraça-me, retira-me dentre os homens, leva-me depressa, diligentemente ao Mestre querido! Por ti Ele me receberá, Ele que, por ti, a mim resgatou!

Foi, pois, levado à cruz o Apóstolo. E nela ficou por dois dias. Foram dois dias maravilhosos para André. André do alto do lenho, não cessava de pregar a fé em Cristo, aquele Cristo a quem desejara imitar na morte.

E, levantando os olhos para o alto, para o céu, naquele céu em que o Mestre o aguardava, dizia:

- Senhor, réu eterno da glória, recebei-me, assim pendido como estou ao madeiro, à cruz tão doce! Vós sois meu Deus! Oh, vós, a quem vi! Não permitais me desliguem da cruz! Fazei isto por mim, por mim, senhor, que conheci a virtude de vossa santa cruz!

Foi nessa maravilhosa disposição que o Apóstolo entregou a alma ao Senhor.

As relíquias de Santo André foram transferidas, primeiramente para Constantinopla e mais tarde para Amalfi. O chefe, o irmão, descansa na basílica que lhe tem o nome - São Pedro de Roma.

Vida dos Santos, 
Padre Rohrbacher,
 Volume XX, p. 320 à 335
São Judas Tadeu - Basilica N.Sra das Angustias - Granada - ES.jpg
São Judas Tadeu, um dos santos mais populares da Santa Igreja, é invocado como o santo dos desesperados e aflitos, o santo das causas sem solução e das causas perdidas

São Judas Tadeu, nasceu em Caná da Galiléia, Palestina, filho de Alfeu (ou Cleofas) e Maria Cleofas. Seu pai, Alfeu, era irmão de São José e sua mãe prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, São Judas Tadeu era primo-irmão de

Jesus, tanto pela parte do pai como da mãe. Alfeu (Cleofas) era um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús, no dia da ressurreição. Maria Cleofas, era uma das piedosas mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galiléia e que permaneceram ao pé da cruz, no Calvário, junto com Maria Santíssima.

São Judas Tadeu tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Maria Salomé. Um deles, Tiago, também foi chamado por Jesus para ser apóstolo. O relacionamento da família de São Judas Tadeu com o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo que se consegue perceber nas Sagradas Escrituras é o seguinte:

Dos irmãos dele, Tiago foi um dos doze apóstolos e tornou-se o primeiro bispo de Jerusalém. De José, sabe-se que era conhecido como o Justo. Simão, outro irmão de São Judas foi o segundo bispo de Jerusalém, sucessor de Tiago.

Maria Salomé, sua única irmã, era mãe dos apóstolos São Tiago Maior e São João Evangelista. Ele era chamado de Tiago Menor para diferenciar de outro apóstolo, São Tiago, que, por ser mais velho, era chamado de Maior.

É de se supor que houve muita convivência de São Judas Tadeu com seu primo Jesus e seus tios, Maria e José. Foi certamente essa fraterna convivência, além do parentesco muito próximo, que levou São Marcos (Mc 6,3) a citar São Judas Tadeu e seus irmãos como sendo os "irmãos" de Jesus.

Citações na Bíblia

A Bíblia trata pouco de São Judas Tadeu. Ela aponta, no entanto, um fato muito importante: ele foi escolhido a dedo, por Jesus, para ser um dos apóstolos. Quando os evangelhos nomeiam os doze discípulos escolhidos, sempre aparecem os nomes Judas ou Tadeu na relação dos apóstolos.

O nome de Judas aparece também nos Atos dos Apóstolos (At 1,13). Além dessas citações, seu sobrinho São João Evangelista (Jo 14,22) o nomeia entre os participantes do colégio apostólico que estavam no episódio da Santa Ceia, na quinta-feira santa.

Foi nesta oportunidade que, quando Jesus confidenciava aos apóstolos as maravilhas do amor do Pai e lhes garantia especial manifestação de si próprio, que São Judas Tadeu não se conteve e perguntou: "Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?" E foi, então, que Jesus lhe respondeu afirmando que haveria manifestações d'Ele a todos os que guardassem sua palavra e permanecessem fiéis a seu amor.

Nesse fato da Última Ceia, São Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão para com todos os homens.

A vida de São Judas Tadeu

Depois que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, a Igreja de Deus expandiu-se: iniciou-se a evangelização dos povos. São Judas Tadeu iniciou sua pregação na Galiléia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas.  Ele tomou parte do primeiro Concílio de Jerusalém que foi realizado no Ano 50.

Mais tarde evangelizou a Síria, a Armênia e a Mesopotâmia (atual Irã), onde ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão, o "zelote", que já evangelizava o Egito. A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu, foi realizada de modo enérgico e vigoroso. Ele atraiu e cativou os pagãos e povos de outras religiões que, então, se converteram em grande número ao cristianismo.

Sua adesão a Nosso Senhor Jesus Cristo era completa e incondicional. Disso ele deu testemunho com a doação da própria vida. Este glorioso Apóstolo de Jesus dedicou sua vida à evangelização. Foi incansável nesta tarefa, pregando o evangelho e convertendo São Judas Tadeu muitas almas. Os pagãos, inconformados, começaram a colocar o povo contra ele. São Judas Tadeu e São Simão foram presos e levados ao templo do sol. Ali recusaram-se a renegar a Jesus Cristo e prestar culto à deusa Diana.

Foi nessa ocasião que São Judas disse ao povo: "Para que fiqueis sabendo que estes ídolos que vós adorais são falsos, deles sairão os demônios e os hão de quebrar". No mesmo instante, dois demônios hediondos quebraram todo o templo e desapareceram. Indignado, o povo, incitado pelos sacerdotes pagãos, atirou-se contra os apóstolos furiosamente. São Judas Tadeu foi trucidado por sacerdotes pagãos de modo cruel, violento e desumano.

Apóstolo e mártir, São Judas é representado em suas imagens segurando um livro, que simboliza a palavra de Deus que ele anunciou, e uma alabarda, uma espécie de machado, que foi o instrumento utilizado em seu martírio. Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica é celebrada em 28 de outubro, provável data de seu martírio acontecido no ano 70.

No Brasil, a devoção a São Judas Tadeu é relativamente recente. Ela surgiu no início do século XX, alcançando logo uma grande popularidade. Ele é invocado como o santo dos desesperados e aflitos, o santo das causas sem solução, das causas perdidas.

Epístola de São Judas Tadeu

Sao Judas Tadeu_Lima Peru.JPGSegundo a tradição eclesiástica, São Judas Tadeu é apontado, como sendo o autor da epístola canônica que traz seu nome. Tudo indica que essa carta foi dirigida aos judeus cristãos da Palestina, pouco depois da destruição da cidade de Jerusalém, quando a maioria dos Apóstolos já havia falecido. O breve escrito de São Judas Tadeu é uma severa advertência contra os falsos mestres e um convite a manter a pureza da fé.

Percebe-se que "A carta de São Judas" foi escrita por um homem apaixonado e preocupado com a pureza da fé e a boa reputação do povo cristão. O escritor afirma ter querido escrever uma carta diferente, mas ouvindo os pontos de vista errados de falsos professores da comunidade cristã urgentemente escreveu esta carta para alertar a Igreja a acautelar-se contra eles.

A Epístola

1 Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos eleitos bem-amados em Deus Pai e reservados para Jesus Cristo. 2 Que a misericórdia, a paz e o amor se realizem em vós copiosamente. 3 Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a respeito da nossa comum salvação, senti a necessidade de dirigir-vos esta carta para exortar-vos a pelejar pela fé, confiada de uma vez para sempre aos santos. 4 Pois certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este julgamento; eles transformam em dissolução a graça de nosso Deus e negam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor.5 Quisera trazer-vos à memória, embora saibais todas estas coisas: o Senhor, depois de ter salvo o povo da terra do Egito, fez em seguida perecer os incrédulos. 6 Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia. 7 Da mesma forma Sodoma, Gomorra e as cidades circunvizinhas, que praticaram as mesmas impurezas e se entregaram a vícios contra a natureza, jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. 8 Assim também estes homens, em seu louco desvario, contaminam igualmente a carne, desprezam a soberania e maldizem as glórias. 9 Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda! 10 Estes, porém, falam mal do que ignoram. Encontram eles a sua perdição naquilo que não conhecem, senão de um modo natural, à maneira dos animais destituídos de razão. 11 Ai deles, porque andaram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro caíram no erro de Balaão e pereceram na revolta de Coré. 12 Esses fazem escândalos nos vossos ágapes. Banqueteiam-se convosco despudoradamente e se saciam a si mesmos. São nuvens sem água, que os ventos levam! Árvores de fim de outono, sem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas! 13 Ondas furiosas do mar, que arrojam as espumas da sua torpeza! Estrelas errantes, para as quais está reservada a escuridão das trevas para toda a eternidade! 14 Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos 15 para julgar a todos e confundir a todos os ímpios por causa das obras de impiedade que praticaram, e por causa de todas as palavras injuriosas que eles, ímpios, têm proferido contra Deus.16 Estes são murmuradores descontentes, homens que vivem segundo as suas paixões, cuja boca profere palavras soberbas e que admiram os demais por interesse. 17 Mas vós, caríssimos, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, 18 os quais vos diziam: No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo as suas ímpias paixões; 19 homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não têm o Espírito. 20 Mas vós, caríssimos, edificai-vos mutuamente sobre o fundamento da vossa santíssima fé. Orai no Espírito Santo. 21 Conservai-vos no amor de Deus, aguardando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. 22 Para com uns exercei a vossa misericórdia, repreendendo-os, 23 e salvai-os, arrebatando-os do fogo. Dos demais tende compaixão, repassada de temor, detestando até a túnica manchada pela carne. 24 Àquele, que é poderoso para nos preservar de toda queda e nos apresentar diante de sua glória, imaculados e cheios de alegria,25 ao Deus único, Salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém. 
Quando o Filho de Deus se fez homem e veio a este mundo, tomou o nome de Jesus ou Salvador, porque viera para salvar-nos e não para perder-nos.

O primeiro aos quais fez anunciar pelos anjos a boa nova da sua vinda, foram alguns humildes pastores de Belém. Quando escolheu seus doze apóstolos, ou doze enviados, para espalharem a boa nova a todos os povos da terra, escolheu-os entre os humildes e os pequenos. Primeiramente foram dois irmãos, Pedro e André, que viviam da pesca, assim como dois outros, Tiago e João.

Mais extraordinário ainda é não ter Jesus escolhido seus apóstolos precisamente entre os santos, nem no interior do templo, mas nas praças públicas, entre a classe operária e mesmo entre os empregados da alfândega. 

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Bartolomeu, também chamado Natanael, foi um dos doze primeiros apóstolos de Jesus. É assim descrito nos evangelhos de João, Mateus, Marcos e Lucas, e também nos Atos dos Apóstolos.

Bartolomeu nasceu em Caná, na Galiléia, uma pequena aldeia a quatorze quilômetros de Nazaré. Era filho do agricultor Tholmai. No Evangelho, ele também é chamado de Natanael. Em hebraico, a palavra "bar" que dizer "filho" e "tholmai" significa "agricultor". 

Nenhuma narração bíblica lhe enfoca especialmente e seu nome consta apenas nas listas dos doze. No entanto, segundo a tradição, ele é o Natanael de que falam outras passagens, e isso fica evidente através da comparação entre os quatro Evangelhos. Natanael significa "Deus deu" - o significado desse nome fica claro levando-se em conta que ele vinha de Caná, onde deve ter testemunhado a ação de Jesus nas Bodas de Caná (Jo 2, 1-11). Por isso os historiadores são unânimes em afirmar que Bartolomeu-Natanael trata-se de uma só pessoa. 


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"Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser o meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei." Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e Tomé com eles. Jesus veio, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!" Disse depois a Tomé: "Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!" Respondeu-lhe Tomé; "Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: "Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!" (Jo 20,25-29)


Chamado de Dídimo, natural da Galiléia, São Tomé foi um dos mais influentes e produtivos dentre os vários discípulos que foram para o Oriente, incluindo os Santos Bartolomeu, André, Simão e Judas. Os ensinamentos destes homens ficaram perdidos para as Igrejas do Ocidente, mas continuam atuais para as tradições ortodoxas e orientais. 

Ao contrário de Pedro e Felipe, estes Apóstolos não eram casados. O ascetismo (prática da ascese), era um importante ponto de contato espiritual entre eles e seus ouvintes orientais, que já idealizavam o ascetismo como uma medida de maestria divina.

Como seus ensinamentos foram "lembrados" e registrados, o ascetismo foi enfatizado e se tornou o ponto central. Muitas lendas e tradições destes grandes santos foram preservadas em evangelhos apócrifos dos três primeiros séculos, o que permite a recuperação de seus ensinamentos. Tomé, em particular, foi muito estimado e há evidências de que tenha viajado não só à Pérsia, mas até mesmo à Índia, provavelmente acompanhado por Bartolomeu e Judas, trazendo talvez um Evangelho Hebraico original de Matias à Índia.


Tanto Jesus como os evangelistas consideram claramente Pedro como o primeiro entre os apóstolos. O seu nome é mencionado em 191 ocasiões no Novo Testamento enquanto que os todos os outros apóstolos juntos são mencionados por nome 130 vezes.

Neste dia também: São Paulo Apóstolo

O apóstolo nomeado mais freqüentemente, depois de Pedro, é João. Seu nome aparece 48 vezes no Novo Testamento. A autoridade de Pedro é inquestionável, até mesmo para o apóstolo Paulo. Além disso, Pedro é nomeado em primeiro lugar em quase todas as listas dos apóstolos, assim como Judas é nomeado sempre em último lugar. 

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